Jorge A. Bañales.

Washington, 19 nov (EFE).- O custo de vida nos Estados Unidos caiu 1% em outubro como conseqüência do desabamento dos preços dos combustíveis e do aumento dos descontos concedidos por comércios na busca por clientes, informou hoje o Departamento do Trabalho.

A maior queda mensal do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) desde 1947 coincidiu com o aumento do desemprego e a contínua erosão dos valores dos bens imobiliários.

No mês passado, os preços da energia desceram 8,6%, um número sem precedentes. Caso se exclua os preços dos alimentos e da energia, o IPC teve baixa de 0,1%, a primeira deflação subjacente desde 1982.

Ontem, o Governo americano informou que o Índice de Preços ao Produtor (IPP) desceu, em outubro, 2,8%, uma queda sem precedentes em seis décadas, empurrada, sobretudo, pelo barateamento da energia.

Os analistas que acreditam que os EUA entraram em recessão econômica disseram que uma queda prolongada dos preços se somará aos problemas já encarados pelo presidente do Federal Reserve (Fed, bancoe central americano), Ben Bernanke.

A maioria dos analistas tinha calculado uma baixa de 0,8% no IPC de outubro.

Nos últimos 12 meses, encerrados em outubro, o IPC subiu 3,7%, o menor aumento anualizado desde outubro de 2007.

O núcleo da inflação desde outubro do ano passado foi de 2,2%.

Um relatório do Departamento de Comércio mostrou hoje que os construtores de casas reduziram em outubro o começo de obras em 4,5%, o que levou as novas construções ao nível mais baixo desde o final da Segunda Guerra Mundial.

O começo da construção de casas caiu a um ritmo anual de 791 mil unidades, o mais lento desde que se iniciaram os registros durante a segunda metade da década de 1940.

Em um ano, a iniciada de novas construções de imóveis desceu 38% e, desde o início de 2006, caiu 70%.

A diminuição dos preços, excluídos os de alimentos e energia, refletiu as quedas em custos com roupas, veículos automotores, passagens de avião e hotéis.

No mês passado, os preços dos veículos novos desceram 0,5% e os de vestimentas, 1%.

Os preços das passagens de avião desceram 4,8%, a maior queda desde junho de 1999.

O relatório sobre inflação é que os dados divulgados hoje pelo Departamento do Trabalho mostram um aumento de 1,4% no número de remunerações dos trabalhadores ajustadas pela inflação.

No entanto, as remunerações ajustadas pela inflação desceram 0,9% nos últimos 12 meses. A erosão do poder aquisitivo segue contribuindo à lentidão na despesa dos consumidores.

O Departamento de Comércio informou que as vendas no varejo diminuíram 2,8% no mês passado, a maior queda mensal já registrada.

A combinação de desemprego crescente, a restrição do crédito e a desvalorização dos bens imobiliários acovardaram os consumidores, cuja despesa representa mais de dois terços da atividade econômica dos EUA. EFE jab/rr

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