Outro refém político das Farc é libertado na Colômbia

A guerrilha colombiana das Farc libertou nesta terça-feira mais um refém dito político, o ex-governador Alan Jara, seqüestrado em 2001.

AFP |

O helicóptero brasileiro utilizado para resgatar o refém pousou às 14H10 locais (17H10 de Brasília) no aeroporto da cidade de Villavicencio, 90 km ao leste de Bogotá.

Visivelmente cansado e com dificuldades para caminhar, Alan Jara saiu do aparelho e imediatamente abraçou sua esposa, Claudia Rujeles, e seu filho Alan Felipe, hoje com 15 anos.

"Tenho dois problemas de saúde, mas estou bem. Quero enviar um recado de esperança para meus companheiros que ainda estão em cativeiro. Hoje aconteceu um milagre, e outros milagres estão por vir", declarou Jara a jornalistas ainda no aeroporto.

"Hoje, no dia 3 de fevereiro, em um setor rural do departamento de Guaviare (sudeste da Colômbia), as Farc entregaram o ex-governador do departamento de Meta Alan Jara à senadora Piedad Córdoba e a membros do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV)", anunciara uma hora antes o porta-voz do CICV, Yves Heller.

O helicóptero Cougar cedido ao CICV pela Força Aérea Brasileira decolara de Villavicencio às 08H50 (11H50 de Brasília) com destino a um lugar secreto da selva colombiana.

Alan Jara é o quinto dos seis reféns políticos que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) prometeram libertar, em um comunicado datado de 21 de dezembro.

Três policiais e um soldado seqüestrados em 2007 foram libertados no domingo.

O processo de libertação dos reféns foi perturbado por uma polêmica suscitada pelas declarações de um membro da delegação responsável pelo resgate.

Este jornalista, membro da associação de esquerda Colombianos pela Paz, acusou publicamente o Exército colombiano de ter desrespeitado as garantias de segurança ao sobrevoar a área de entrega dos reféns na manhã de domingo no sul do país.

Depois de várias horas de crise, três membros da associação foram excluídos pelo governo da delegação, assim como a senadora de oposição Piedad Córdoba, a principal mediadora.

No entanto, o governo voltou atrás nesta segunda-feira pela manhã e autorizou Córdoba a seguir adiante com a missão. O Exército também prometeu o fim dos sobrevoos.

Alan Jara, um engenheiro de 51 anos, fora seqüestrado em 15 de junho de 2001, quando circulava pelo departamento de Meta a bordo de um veículo da ONU.

No cativeiro, ele era chamado de "anjo da guarda", por ter dado a seus companheiros a força de sobreviver ensinando-lhes rudimentos de inglês e russo.

As Farc ainda devem libertar na quinta-feira o ex-deputado Sigfredo Lopez, seqüestrado em 2002.

O movimento guerrilheiro ainda mantém em seu poder 23 reféns ditos "políticos", ou seja, trocáveis por combatentes das Farc presos pelas autoridades. As Farc apresentaram sua decisão de libertar unilateralmente seis reféns como um gesto de "boa vontade".

Além dos reféns políticos, as Farc mantêm em cativeiro centenas de pessoas (entre 350 e 700 segundo as estimativas), para as quais exige o pagamento de um resgate.

axm/yw

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