Otan vai reatar relações formais com a Rússia

A Otan decidiu nesta quinta-feira, depois de um longo debate, reiniciar um diálogo formal com a Rússia, suspenso em agosto logo após o conflito russo-georgiano.

AFP |

"Os ministros concordaram em reatar formalmente as relações com a Rússia", anunciou o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, ao término de uma reunião dos chanceleres dos 26 países aliados, da qual participava pela primeira vez a nova secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

A próxima reunião ministerial do Conselho Otan-Rússia "acontecerá provavelmente após a cúpula" da Otan, prevista para os dias 3 e 4 de abril, acrescentou.

Moscou saudou imediatamente a decisão da Otan, lamentando, porém, que ela tenha sido "unilateral".

As discussões foram "acaloradas", admitiu o chanceler francês, Bernard Kouchner.

"Alguns consideram o Conselho Otan-Rússia como uma recompensa ou uma concessão à Rússia, mas este Conselho é na verdade um mecanismo de diálogo sobre os pontos de divergência, e como uma plataforma de cooperação de interesse mútuo", explicou mais cedo Hillary Clinton a seus colegas.

"Chegou a hora de seguir adiante, não podemos ficar parados esperando que as coisas mudem por si sós", acrescentou, na véspera de sua primeira reunião com seu colega russo, Serguei Lavrov, sexta-feira em Genebra.

"Chegou a hora de buscar um novo ponto de partida e de trabalhar de forma construtiva" com a Rússia, ainda afirmou Hillary Clinnton.

Antes da intervenção da secretária de Estado americano, que arrancou a unanimidade dos participantes, os 26 membros da Otan estavam divididos em dois grupos: uma maioria de nações favoráveis à retomada do diálogo, entre as quais a França, a Alemanha e o Reino Unido, e uma minoria de países contrários a isto, composta essencialmente por Estados do Leste Europeu.

Esta minoria não queria conceder à Rússia algum tipo de prêmio, ainda mais levando em conta o projeto de Moscou de instalar bases militares nos territórios separatistas georgianos de Abkházia e Ossétia do Sul.

"Pedi aos ministros que mantivessem uma discussão honesta e franca sobre o que deveria ser a estratégia da Otan em relação à Rússia", declarou o chanceler da Lituânia, Vygaudas Usackas, um dos principais opositores à retomada do diálogo.

No entanto, Scheffer foi muito claro. "A Rússia é um importante interlocutor mundial", afirmou, ponderando logo em seguida: "isso não significa que não falar com ela não seja uma opção".

"Os ocidentais ficaram chocados com a atitude da Rússia em relação à Geórgia, mas a Otan e a Rússia ainda podem cooperar de maneira útil", destacou o secretário-geral da Otan, mencionando a ajuda logística russa às tropas aliadas no Afeganistão, a luta contra a proliferação nuclear e balística, e o combate ao terrorismo e ao tráfico de drogas.

Entretanto, "insistiremos com a Rússia para que cumpra plenamente com seus compromissos para com a Geórgia", ressaltou Scheffer.

A Otan teve o cuidado de destacar que dialogar com a Rússia não significa para ela abandonar a Geórgia e a Ucrânia. Nesta quinta-feira, a Aliança Atlântica manteve duas reuniões improvisadas com estas duas ex-repúblicas soviéticas, que querem aderir à organização.

Criado em 2002, o Conselho Otan-Rússia tinha como objetivo melhorar a parceria entre os ex-inimigos da Guerra Fria, mas as políticas "linha-dura" dos ex-presidentes americano, George W. Bush, e russo, Vladimir Putin, quase acabaram com a entidade.

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