Otan troca de comando com Afeganistão ainda como prioridade

Marina Estévez. Bruxelas, 30 jul (EFE).- Após mais de cinco anos, o holandês Jaap de Hoop Scheffer deixou hoje o comando da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), com a operação no Afeganistão ainda entre as prioridades e como principal problema a ser encarado por seu sucessor, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen.

EFE |

O Afeganistão, conhecido como "o túmulo de impérios" por seu papel na queda do britânico e do soviético, já era o objetivo principal da Otan quando Scheffer tomou posse em janeiro de 2004.

Cinco meses antes, a organização já tinha assumido o comando da operação, a primeira de sua história fora da Europa.

Desde então, a presença da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) multiplicou por dez sua força (de 5.700 para 64.500 soldados) e se estendeu de Cabul a todo o território afegão.

Porém, esse enorme crescimento, alimentado sobretudo pelos EUA - de 10 para cerca de 57 mil soldados - não anulou a atividade da insurgência talibã.

Outro dos desafios citados pelo ex-ministro de Assuntos Exteriores holandês ao assumir o cargo em 2004 foi o de "estender pontes" entre a Europa e o então Governo americano de George W.Bush.

As relações então estavam seriamente abaladas pelas divergências com França, Alemanha e outros países aliados sobre a guerra do Iraque.

Democrata-Cristão, Scheffer exerceu na ocasião suas habilidades diplomáticas, que vêm de berço. O holandês nasceu em Amsterdã em 1948 em uma família de diplomatas católicos.

Durante seu mandato, a Otan recebeu oito países do antigo bloco comunista - Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Bulgária, Eslovênia, Eslováquia, Albânia - e uma república ex-iugoslava, a Croácia.

A política de expansão para o leste representou - e ainda representa - uma das principais fontes de atrito entre Otan e Rússia, e foi um dos fatores que explicam o conflito entre Moscou e Geórgia de agosto passado.

O conflito eclodiu apesar de países como França, Alemanha e Espanha terem impedido meses antes os EUA de cumprirem o objetivo de impulsionar a entrada de países do Cáucaso na aliança.

Scheffer deixa as relações recém recompostas, com o Conselho OTAN-Rússia, órgão de discussão privilegiada, funcionando plenamente, após meses de parada brusca pelo conflito no Cáucaso.

No balanço de seu mandato também cabe destacar que, por oposição dos países aliados, não pôde levar à frente uma reforma das estruturas internas da Otan, que ele queria agilizar.

Nesses anos, se viveu uma profunda transformação das capacidades militares, assim como a volta da França à estrutura militar da organização.

Após 34 anos de carreira diplomática e política, que começou na Embaixada Holandesa em Gana, pessoas ligadas a Scheffer apontam que agora ele quer centrar sua atividade no mundo acadêmico.

É previsível que tire uns meses para descansar, após sofrer problemas de saúde durante uma cerimônia militar devido a uma trombose arterial, e passar por uma cirurgia. EFE met/rr

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