Artan Mustafa Pristina, 1 abr (EFE).- Seis semanas após a proclamação unilateral de independência do Kosovo, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) trata de manter a estabilidade na região dos Bálcãs, onde alguns sérvios chegaram a realizar protestos violentos contra a soberania kosovar.

A Força da Otan para o Kosovo (Kfor, na sigla em inglês) é atualmente composta por 16 mil soldados de 34 países, 13.500 deles da aliança político-militar e outros 2.500 de países não aliados como Áustria, Suécia, Ucrânia e Suíça.

O maior contingente é fornecido pela Itália, com mais de 2.500 soldados, seguido pela Alemanha, com 2.400, e a França, com 2.300.

Os oficiais desses países estão distribuídos por todo o território kosovar.

O comandante-em-chefe da Kfor é o general francês Xavier Bout de Marnhac.

Apesar de vários problemas de segurança registrados após a proclamação da soberania, efetuada em 17 de fevereiro pelo Parlamento em Pristina, Marnhac reiterou várias vezes que a Kfor e a Otan continuarão aplicando seu habitual plano estratégico.

"Não há nenhuma necessidade de trocá-lo nos próximos dias ou semanas", adiantava o general francês no início de março.

No entanto, na semana passada, cerca de 20 soldados de Kfor ficaram feridos, alguns inclusive com gravidade, em violentos enfrentamentos com manifestantes sérvios na cidade dividida de Mitrovica, no norte do Kosovo.

Um policial ucraniano da ONU morreu e mais de 150 pessoas ficaram feridas em confrontos entre as forças de segurança internacionais e manifestantes sérvios.

A Otan assegura que a situação atual é de calma, embora reconheça que incidentes graves como os de Mitrovica podem se repetir.

"Ninguém pode esperar que os soldados da Kfor enviem flores quando são alvos de disparos. Em 17 de março enfrentamos manifestantes, mas agora estamos falando de assassinos", disse na última quarta-feira Jean Luc Cotard, porta-voz da missão da Otan no Kosovo.

"Fazemos uma grande distinção entre cidadãos e assassinos. Os soldados da Kfor saberão responder a qualquer ameaça com formas adequadas de defesa", advertiu o porta-voz.

A Otan acusa os sérvios de usar armas de fogo automáticas e granadas contra as tropas internacionais nos protestos da semana passada, enquanto Belgrado assegura que a aliança político-militar cometeu excessos no uso da força.

Após os incidentes de Mitrovica, a Otan impôs, de fato, lei marcial na parte norte da cidade. A medida foi suspensa tão logo as forças especiais da ONU e a Polícia do Kosovo voltaram à cidade, dias mais tarde.

Nove anos depois de a Otan ter realizado a maior operação de sua história - com os bombardeios contra a Sérvia durante 78 dias e o envio posterior de mais de 50 mil tropas à região -, a segurança continua sendo a preocupação número um do órgão no Kosovo.

Na ex-província sérvia vivem cerca de dois milhões de pessoas, que em 90% são de origem albanesa; apenas 120 mil são sérvios, que vivem concentrados na parte norte e em enclaves no resto do Kosovo.

Com a opção, impulsionada por Belgrado, de dividir o país por linhas étnicas - em uma grande parte albanesa no sul e uma pequena parte sérvia no norte -, a Otan não pode dar mostras de fraqueza se quiser realmente evitar o início de novas hostilidades. EFE am/fr/mh

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