Otan: saída do Afeganistão não será o fim dos combates

Otan aprova retirada de tropas do Afeganistão a partir de março de 2011, mas operação deve ser concluída apenas em 2014

EFE |

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) aprovou neste sábado iniciar a transição no Afeganistão a partir de março de 2011 e concluí-la no final de 2014, mas advertiu que seguirá tendo soldados depois do prazo e que o início da retirada não significará o fim dos combates.

Associated Press
Presidente afegão, Hamid Karzai, durante reunião, em Lisboa, que selou acordo para a saída progressiva das tropas

A cúpula internacional sobre o Afeganistão traçou o mapa de como deve ser a transferência da responsabilidade para mãos afegãs, que significará também o início da retirada progressiva dos 131 mil soldados dirigidos pela Otan em solo afegão.

O secretário-geral da Aliança, Anders Fogh Rasmussen, afirmou que o processo se iniciará "no começo do próximo ano", mas fontes aliadas precisaram que deve ser entre março e abril.

Vários países anunciaram que, em meados de 2011, começarão a retirar alguns de seus soldados, mas Rasmussen deixou claro que o início desta "nova fase" não deve permitir que os talibãs tenham esperanças, porque não significa que haverá um vazio de poder nem que "a Otan abandonará o país".

A transição "não equivale uma retirada das tropas da Isaf", insiste a declaração emitida na reunião, da qual participaram os 48 países com tropas no Afeganistão, Japão, ONU, UE e o Banco Mundial.

O anúncio foi feito depois que as tropas aliadas, cujo número subiu de forma importante durante este ano, "começaram a quebrar o impulso talibã", segundo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

O plano estipulado em Lisboa estabelece que as forças de segurança afegãs aumentem progressivamente sua área de responsabilidade até dirigir a segurança em todo o território até o final de 2014, o que concluirá a missão de combate das forças estrangeiras.

Isto não significa que todos os soldados da Isaf terão deixado o Afeganistão, pois ainda ficará um número não informado como apoio para as forças afegãs e em tarefas de instrução e formação.

O presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, ressaltou que, apesar de o processo de transição "não ser estritamente equivalente" à retirada, seu início "abre as portas para um processo progressivo".

Vários líderes aliados não souberam informar como seria a presença militar depois de 2014, já que não podem prever como o país evoluirá em quatro anos.

Obama advertiu que fará "o necessário" para proteger a segurança dos EUA, por isso não descartou manter no Afeganistão uma força militar com missões antiterroristas.

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, confirmou que a "data limite" para o retorno de suas tropas de combate será 2015, mas serão mantidos alguns soldados para tarefas de apoio e treinamento.

Rasmussen ressaltou que a potencialização da missão de instrução de soldados e policiais afegãos é fundamental para a retirada. Por isso, a Otan intensificará a formação de modo que os membros das forças afegãs aumentem de 260 mil para 305,6 mil em outubro de 2011.

A Organização e o Afeganistão também fecharam neste sábado um acordo de cooperação a longo prazo que sela o compromisso da Otan com o país.

O presidente afegão, Hamid Karzai, assinalou seu otimismo sobre o êxito do processo de transição e disse que o Governo continuará o diálogo de paz com os insurgentes. "Confiamos que a transição da segurança às autoridades afegãs terá sucesso", afirmou Karzai.

Apesar de a decisão abrir a porta para a retirada tão desejada pelos países, ocorreram várias advertências contra o triunfo de uma retirada rápida.  "Ninguém deve pensar que os combates terminaram, a ofensiva continua", disse claramente o assessor da Casa Branca para o Afeganistão, o general Douglas Lute.

A reunião também pediu que Karzai melhore a ação do Governo e lute contra a corrupção para que a retirada das tropas não crie um vazio que seja aproveitado pelos talibãs.

A decisão de lançar o processo ocorreu depois que o chefe das tropas internacionais no Afeganistão, o general David Petraeus, explicou aos líderes a situação nas diferentes regiões do país.

As províncias afegãs foram colocadas em diferentes grupos de acordo com sua evolução na fase de transição, mas esta classificação não será divulgado para evitar que os talibãs usem a informação para guiar sua ações.

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