Otan retoma relações com Rússia, mas persistem divergências na organização

Bruxelas, 5 mar (EFE).- Os ministros de Exteriores da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) aceitaram hoje o pedido da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, de restabelecer as relações plenas com a Rússia, suspensas desde agosto pelo conflito na Geórgia.

EFE |

O conselho informal de ministros de Exteriores, o primeiro ao qual a chefe da diplomacia dos Estados Unidos assistiu, durou mais tempo que o previsto devido à oposição inicial da Lituânia, que considerava que era cedo demais para retomar relações com a Rússia.

Porém, acabou sendo levada em consideração a conveniência da colaboração da Rússia no Afeganistão e no Irã, e, após ser obtida a unanimidade necessária, os ministros concordaram em que, no segundo semestre, será realizado um Conselho Otan-Rússia em nível ministerial.

A secretária de Estado americana, que na sexta-feira se reunirá em Genebra com o chanceler russo, Serguei Lavrov, enviou uma mensagem de tranquilidade aos países aliados mais reticentes a resgatar o diálogo, tanto às nações do Leste Europeu quanto para Ucrânia e Geórgia, com as quais houve conselhos separados.

"Estamos a par das preocupações específicas de uma série de países no Leste Europeu (...), mas os EUA não reconhecerão que nenhuma nação tem uma esfera de influência sobre outras", disse Hillary em entrevista coletiva, parafraseando o vice-presidente americano, Joe Biden, na conferência de Segurança de Munique.

Hillary assegurou à Ucrânia e à Geórgia que os "EUA estão comprometidos a que estas nações sigam seu caminho em direção à Otan". Os países até agora não foram aceitos no chamado "Plano de ação para a adesão" à organização em parte pela forte oposição da Rússia.

A chefe da diplomacia americana acrescentou que os Estados Unidos têm um "forte compromisso" para que estas repúblicas do Cáucaso "não sejam o objeto da intimidação ou agressão da Rússia".

Em reunião a portas fechadas, a secretária de Estado defendeu um "novo começo" nas relações entre Otan e Rússia, e pediu ao resto dos aliados "realismo" para superar as diferenças.

De acordo com Hillary, a eventual retomada das reuniões formais e regulares do Conselho Otan-Rússia não deve ser encarada com uma "recompensa ou concessão" a Moscou.

Ao contrário, a secretária americana pediu para que sejam observadas as "potenciais vantagens" de colaborar com a Rússia em problemas como pirataria, terrorismo e, sobretudo, o conflito no Afeganistão e na proliferação nuclear no Irã.

O ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, também participou da reunião, e aprovou a decisão de recuperar o diálogo com os russos.

Ele lembrou que os próprios georgianos estão negociando com os russos em Genebra, como parte dos acordos alcançados para colocar fim ao conflito de agosto.

"Não nos peçam para ser mais georgianos que os georgianos", disse em entrevista coletiva o ministro espanhol, para quem "seria paradoxal que todo o mundo falasse com os russos -a União Europeia (UE), EUA, etc-, menos a Otan".

Moratinos acrescentou que "o mundo mudou" desde que os aliados decidiram suspender a colaboração com a Rússia pelo conflito de agosto, e lembrou que, entre outros eventos, houve uma transição na Casa Branca.

A Otan acredita que é muito importante contar com a autorização da Rússia para passar por seu território e fazer chegar material à Missão Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) que a organização possui desdobrada no país asiático.

O Afeganistão será o centro da visita que o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, fará na próxima semana à Otan. O objetivo é preparar terreno para a cúpula de chefes de Estado e de Governo que ocorrerá entre os dias 3 e 4 de abril em Estrasburgo, França, e Kehl, Alemanha.

Nesta ocasião, os aliados deverão responder ao pedido concreto do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de enviar mais recursos à região. EFE met/db

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