KUNDUZ - Tropas da Otan libertaram nesta quarta-feira um repórter britânico do jornal The New York Times que estava sequestrado no norte do Afeganistão, mas seu colega afegão, um soldado britânico e ao menos um civil morreram na operação de resgate.

Os repórteres do "The New York Times" Stephen Farrell e Mohammad Sultan Munadi foram sequestrados enquanto tentavam visitar a cena de uma ataque aéreo da Otan que matou vários afegãos no norte do país.


Stephen Farrell, em foto de arquivo de 2007, trabalhava regularmente no Afeganistão / AP

Em uma nota publicada no site do jornal, Farrell disse que foi libertado por comandos da Otan durante a operação, mas que Munadi foi morto por um tiro diante dele enquanto tentavam deixar o local.

"Estávamos todos em um quarto, os talebans todos correram, era obviamente uma operação (da Otan)", disse Farrell. "Houve tiros por todo lado. Eu ouvi vozes de britânicos e afegãos."

Farrell disse que Munadi estava caminhando e gritava: "Jornalista! Jornalista!", mas acabou sendo alvejado em uma troca de tiros. Farrell disse não saber se os tiros partiram dos militantes ou das tropas ocidentais.

Bill Keller, editor-executivo do The Times, disse: "Estamos muito contentes que Steve esteja livre, mas muito tristes que essa liberdade tenha acontecido a esse alto custo. Estamos fazendo tudo que é possível para saber os detalhes do que aconteceu. Nossos sentimentos estão com a família de Sultan."

O Ministério da Defesa britânico informou que um soldado britânico também morreu durante a operação e que sua família foi informada da morte.

Uma autoridade da Província de Kunduz disse que uma mulher afegã também morreu na casa onde as duas pessoas eram mantidas reféns.

Sequestro de jornalistas

Farrell foi o segundo jornalista do "The New York" Times sequestrado no Afeganistão em menos de um ano. David Rohde foi mantido refém no Afeganistão e Paquistão durante sete meses até junho, quando o jornal disse que ele conseguiu escapar do cativeiro.

Como no caso de Rohde, os outros veículos de comunicação ocidentais não cobriram o sequestro de Farrell e Munadi a pedido do jornal, que acreditava que assim aumentaria a segurança dos jornalistas.

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