Otan renovará oferta de cooperação à Rússia e revisará sua estratégia

Estrasburgo (França), 3 abr (EFE).- Os líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) renovarão hoje sua oferta de cooperação à Rússia e abrirão o processo de revisão da estratégia da entidade, na abertura da cúpula que celebra o 60º aniversário do organismo.

EFE |

A reunião dos 28 chefes de Estado ou Governo começa com um jantar de trabalho no cassino de Baden-Baden (Alemanha), no qual o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, convidará a todos os países-membros a refletir juntos sobre o futuro da organização.

Obama estabeleceu o ponto de partida dessa reflexão ao lembrar hoje que a Otan "é a aliança mais bem-sucedida na história moderna" e que sua "premissa básica" - o reconhecimento de que a segurança europeia é a segurança dos EUA e vice-versa - continuará em vigor.

Nesta cúpula, os líderes da Otan abrirão o processo que deve levar à aprovação, no segundo semestre de 2010, durante outra cúpula em Portugal, de um novo "conceito estratégico" que atualizará o adotado há uma década e definirá as novas responsabilidades e missões da organização.

No dia 4 de abril de 1949, foi assinado o Tratado de Washington, por meio do qual EUA, Canadá e dez países europeus selavam um pacto de defesa mútua para frear a expansão soviética na Europa após a derrota do regime nazista.

Hoje, cerca de 20 anos depois do fim da União Soviética e da reunificação alemã, a organização nascida na Guerra Fria conta com 28 membros e dirige uma força de combate de 62 mil soldados no Afeganistão, bem longe do continente europeu.

No encontro desta noite, os dirigentes da Otan analisarão o futuro de suas relações com a Rússia.

Também neste sentido, Obama tenta abrir espaços para a cooperação, dando atenção à contribuição que Moscou pode dar à segurança mundial.

"É importante associar a Rússia, reconhecendo seus legítimos interesses", disse hoje Obama, destacando que "a autonomia e independência de todos os Estados europeus devem ser respeitadas".

A Otan já decidiu retomar os contatos em nível ministerial com a Rússia, suspensos por causa da invasão russa de uma parte do território da Geórgia no ano passado.

Os membros da entidade não esqueceram desse episódio nem aceitaram a independência unilateral das repúblicas separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia.

Porém, como lembrou Obama, "EUA, Europa e Rússia têm interesse em evitar que o Irã desenvolva armas nucleares".

Além disso, fontes aliadas não descartam que os líderes abordem hoje a questão da designação do sucessor do secretário-geral da Otan, o holandês Jaap de Hoop Scheffer.

Caso não haja acordo em torno do único candidato oficial, o primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen, devido ao veto da Turquia, o assunto não será sequer mencionado.

Entretanto, a afirmação da chanceler alemã, Angela Merkel, de que espera uma decisão hoje deu margem para a surpresa.

Antes do início da cúpula, Obama e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, demonstraram o que pretende ser o começo de uma nova era nas relações entre Europa e EUA.

A cúpula do 60º aniversário da Otan foi precedida por diversos encontros bilaterais entre o chefe de Estado americano, o presidente francês e a chanceler alemã.

Obama deixou claro hoje que é a favor de uma Europa "forte" e que disponha de "capacidades de defesa reforçadas" as quais permitam que o continente atue com eficácia junto aos EUA no cenário internacional.

O presidente americano disse que o país não quer ser "chefe da Europa, mas seu parceiro" e que, quanto mais os europeus forem capazes de se defender, melhor será a atuação "frente aos desafios comuns". EFE jms-met/bba

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