Otan recebe Croácia e Albânia, mas pede que continuem reformas internas

José Manuel Sanz Bruxelas, 9 jul (EFE).- Os 26 Estados-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) assinaram hoje os protocolos de adesão de Croácia e Albânia, penúltimo trâmite antes do ingresso efetivo desses dois países balcânicos à aliança militar, mas pediram a ambos que concluam rapidamente suas reformas internas.

EFE |

"Hoje é um grande dia para a Croácia e a Albânia, para a Otan e para a segurança na Europa", disse o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, ao término de uma sessão especial do Conselho do Atlântico Norte.

Os embaixadores permanentes dos 26 países-membros da Otan e os ministros de Assuntos Exteriores croata, Gordan Jandrokovic, e albanês, Lulzim Basha, assinaram os protocolos, que agora deverão ser aprovados pelos Parlamentos de todos os Estados-membros.

O objetivo é que os dois países se tornem membros plenos da aliança antes da próxima cúpula da Otan, que acontecerá em 2009 simultaneamente nas cidades de Estrasburgo (França) e Kehl (Alemanha), quando serão comemorados os 60 anos da organização.

De Hoop Scheffer advertiu que o processo de ratificação "também comportará um debate (no Ocidente) sobre as reformas" nos dois países, por isso existe o interesse de Zagreb e Tirana em seguir avançando na modernização e transformação de suas estruturas políticas e econômicas.

Depois da Eslovênia, a Croácia será o segundo país da antiga Iugoslávia a ingressar na Otan.

As diferenças de Zagreb com Liubliana sobre a delimitação definitiva das fronteiras marítima e terrestre poderiam ser a causa do atraso na ratificação pelo Parlamento esloveno, segundo alguns observadores.

O chanceler croata afirmou que seu país "compartilha os valores e os interesses" dos países da Otan, e garantiu que a Croácia será "um aliado forte e confiável", como tem mostrado no Afeganistão.

É a adesão da Albânia que tem sido aceita com reticências por alguns aliados europeus, que vêem esse país, um dos mais pobres da Europa, ainda muito longe dos padrões políticos e militares ocidentais.

O chanceler albanês reiterou, perante o Conselho do Atlântico Norte e a imprensa, a "determinação" das autoridades de Tirana em completar "a transformação plena da sociedade" albanesa e em acelerar as reformas.

Os esforços na luta contra o crime organizado e a corrupção foram determinantes durante o convencimento dos membros mais relutantes da aliança em convidar a Albânia.

Basha prometeu continuar com a reforma judicial, mudança que "requer consenso", e com a modificação do sistema eleitoral, assim que todos os partidos com representação parlamentar aceitarem a proposta.

O chanceler da Albânia também reconheceu a necessidade de "tornar o país mais atraente aos investimentos estrangeiros", de adotar um "orçamento transparente" e de conseguir uma efetiva "redistribuição de renda".

De Hoop Scheffer, por outro lado, deixou claro que todas as reformas são necessárias "não porque a Otan as está pedindo, mas pelo bem da população".

O secretário-geral da Otan disse estar "um pouco triste" pelo fato de a Macedônia, terceiro candidato dos Bálcãs, não ser finalmente convidada.

"A situação não mudou desde (a cúpula de) Bucareste", disse De Hoop Scheffer, ao relembrar que Macedônia e Grécia ainda não entraram em acordo sobre o nome da ex-república iugoslava.

A Grécia vetou o convite à Macedônia na cúpula da Otan, realizada em abril na capital romena, pois se nega a reconhecê-la com esse nome por considerá-lo patrimônio exclusivo do helenismo.

"A porta continua aberta", voltou a dizer De Hoop Scheffer, que expressou o desejo de que a mensagem "seja ouvida em Skopje", porque há uma cadeira esperando a Macedônia em Bruxelas.

"Espero que o novo Governo (macedônio) dê amostras de flexibilidade", acrescentou De Hoop Scheffer. EFE jms/wr/rr

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