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Otan quer passar a segurança aos afegãos de forma irreversível

Bruxelas, 23 abr (EFE).- A Otan acordou hoje que entregará de forma progressiva a gestão da segurança dos distritos do país às autoridades afegãs quando estas estiverem em condições de assumirem de forma irreversível o comando.

EFE |

"A transição deve ser sustentável, mas irreversível", afirmou o secretário-geral da Aliança, Anders Fogh Rasmussen, após uma reunião de ministros de Exteriores dos países com tropas no país asiático e do próprio Afeganistão.

Os ministros concordaram nesta sexta-feira com várias "condições claras" para que a transferência da segurança possa começar durante este mesmo ano nos distritos do Afeganistão mais seguros diante da ação dos insurgentes e terroristas.

Rasmussen não detalhou as condições, mas ressaltou que a entrega do controle da segurança nessas regiões ocorrerá "quando os afegãos forem capazes de assumir essa responsabilidade".

Insistiu ainda que os cidadãos afegãos e os 46 países com tropas no país asiático "querem ver progressos visíveis, e têm razão", embora tenha reconhecido que "não será fácil".

O processo continuará com a conferência internacional que será realizada em breve em Cabul, na qual serão detalhadas as modalidades da transferência, de modo que a cúpula aliada de novembro possa aprovar o início da transição para as mãos afegãs das áreas mais seguras, detalhou o responsável da Otan.

Rasmussen lembrou que a transição será progressiva, e voltou a afirmar que "não vamos sair correndo".

Mesmo assim, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, advertiu que o final dessa transição não vai significar que o Afeganistão já será um país pacificado, e citou como exemplo o Iraque, onde as autoridades de Bagdá estão assumindo o controle do país apesar da violência continuar.

"Nos próximos anos haverá ameaças para a segurança afegã, mas é um problema que afeta muitos países", assinalou Hillary, embora tenha deixado claro que "com formação suficiente e assessoria, os afegãos serão perfeitamente capazes de defender-se dos insurgentes".

Por enquanto, a Otan segue buscando 450 instrutores para completar os programas de formação do Exército e da Polícia afegã.

O objetivo é que até outubro de 2011 haja no Afeganistão 171,6 mil policiais e 134 mil soldados.

Apesar de que muitos dos países da Otan ou dos não aliados terem contribuído para Isaf parecem reticentes em estender os reforços realizados em dezembro e em janeiro passado, mas Hillary se mostrou "convencida" de que o requerimento será atendido.

Nesta sexta-feira, que encerrou uma reunião de dois dias na capital da Estônia, os ministros de Exteriores da Otan discutiram sobre as relações da Aliança com a Rússia, um país com o qual se quer aumentar a cooperação em matéria de segurança.

Rasmussen detalhou que "ainda há mais espaço" para que a Rússia se envolva no Afeganistão, o país poderia assumir o transporte de provisões não letais.

A luta contra o terrorismo, o tráfico de drogas e a pirataria são outras questões nas quais a Otan espera uma maior cooperação com o Kremlin, ao que Rasmussen pediu "esquecer a velha retórica da Guerra Fria".

O ponto mais importante em que a Aliança espera uma interação com Moscou é na criação de um sistema antimísseis para todos os países da organização.

"Rússia pode contribuir com algumas instalações que podem tornar a defesa mais eficaz", destacou Rasmussen.

Mas o maior argumento é o político, já que a cooperação entre a Otan e Moscou neste projeto "pode melhorar a segurança europeia e também a russa", já que os mísseis de estados também podem ser dirigidos contra o território russo, segundo insistiu o secretário-geral. EFE rcf/dm

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