Otan quer ampliar papel global e busca aliança com China e Índia

Juan Carlos Barrena. Munique (Alemanha), 7 fev (EFE).- O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, afirmou hoje que a aliança pretende assumir um papel global em segurança e conseguir acordos estratégicos além de sua zona natural de influência, como em China e Índia.

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No último dia da Conferência de Segurança de Munique (Alemanha), Rasmussen comentou que, "na era da insegurança global", a Otan deve buscar a cooperação além de suas fronteiras e se tornar um fórum global em defesa.

O secretário-geral ressaltou que a prioridade da Otan é e será defender seus próprios membros, mas que a existência de outras ameaças de caráter internacional obrigam a ampliação de suas atuações preventivas.

Rasmussen disse que a aliança deve se tornar núcleo de uma rede de sociedades de segurança e um centro de assessoria para questões internacionais de segurança, inclusive para aquelas em que a "Otan nunca será ativa".

Segundo ele, o caso do Afeganistão tornou clara "a mudança dramática na maneira de atuar da aliança". O secretário-geral da Otan disse ainda que a cooperação com outros países "funciona" e deve ser ampliada - após conseguir uma aliança com a Rússia - às grandes potências emergentes da Ásia (China e Índia).

Também o ministro da Defesa da Alemanha, Karl-Theodor zu Guttenberg, se disse a favor de ampliar a cooperação com países que não pertencem à aliança, especialmente os emergentes, e melhorar o diálogo com nações como China e Rússia, "por mais difícil que seja a cooperação para alguns membros".

É necessário encontrar uma base de diálogo com grandes nações como China e Rússia, disse o ministro alemão, que comentou que a cooperação entre a Otan e a União Europeia está abaixo das reais possibilidades.

No mesmo debate em Munique, o comandante-em-chefe da Otan, o almirante americano James Stavridis, frisou que aliança "não deveria ser um ator global, mas um ator em um mundo global".

Stavridis pediu que na nova estratégia da Otan, que deverá ser definida na próxima cúpula de Lisboa, se alcance um equilíbrio entre a "dura" potência militar e a "suave" influência política e econômica.

O principal militar da Otan advertiu que devem ser levadas muito a sério novas ameaças como a guerra eletrônica, já que "no futuro o perigo não chegará através do bombardeio de um avião, mas pelos cabos de fibra ótica".

Já o presidente da comissão de assuntos exteriores da Duma, o Parlamento da Rússia, Konstantin Kosatschew, reiterou a rejeição de seu país a uma possível entrada na Otan de países como Ucrânia e Geórgia.

"Assim que a Otan atuar além de suas fronteiras já não será mais uma questão interna da aliança", disse Kosatschew para expressar sua rejeição às ambições colocadas por Rasmussen e Guttenberg.

O secretário-geral da Aliança Atlântica deixou claro, no entanto, que as ideias de sua organização de cooperar com outros países não representam uma tentativa de competir com as Nações Unidas.

Pelo contrário, disse Rasmussen, que lembrou que a Otan atua no Afeganistão sobre a base de uma resolução das Nações Unidas e que uma possível intervenção em outros lugares sempre será feita com respaldo da ONU.

"A globalização é irreversível também em matéria de defesa e segurança", afirmou o político dinamarquês. EFE jcb/rr

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