Otan propõe à Rússia nova etapa de colaboração política e militar

Bruxelas, 18 set (EFE).- O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, estendeu a mão à Rússia hoje para retomar as relações diante das aspirações nucleares do Irã, por meio de iniciativas como interligar os sistemas antimísseis russo com o dos Estados Unidos e seus aliados.

EFE |

Moscou aceitou a aproximação do antigo rival, um dia depois de a Casa Branca suspender os planos de instalar um escudo antimíssil no leste da Europa.

Em seu discurso inaugural a frente da Secretaria-Geral aliada, Rasmussen ressaltou a necessidade de atuar com maior realismo e lembrou que os desafios de agora têm pouco em comum com os do passado.

"Nossas nações vão ser cada vez mais vulneráveis aos ataques com mísseis de outros países", afirmou.

Por essa razão, ao invés de gastar energias nas diferenças - como as geradas pela expansão da Otan aos países do Leste - ele sugere concentrar esforços em ações práticas como interligar os sistemas antimísseis dos EUA, da Otan e da Rússia.

Como justificativa, lembrou que existe um interesse partilhado na prevenção da proliferação de armas de destruição em massa e seu transporte. Justificou que a partir do momento que a Coreia do Norte investe armas nucleares e o Irã também, os vizinhos podem ficar tentados a seguir o exemplo.

Rasmussen assegurou que "um mundo multi-nuclear é totalmente contra os desejos da Otan e da Rússia", e reiterou a expectativa de que o Kremlin faça pressão política e militar sobre o Irã para deter suas aspirações atômicas.

Referiu-se também à ameaça do terrorismo, que se articula do Iraque ao Afeganistão, do Oriente Médio ao Cáucaso.

O conflito do Afeganistão, no qual Rússia colabora permitindo o trânsito por seu território das forças da Otan, ou a luta contra a pirataria em águas do Índico foram mencionadas por Rasmussen como exemplos de colaboração passíveis de serem ainda mais ambiciosos.

Tanto a Otan quanto a Rússia estão em plenário processo de revisão de planos estratégicos de Defesa, e neste contexto, o político dinamarquês defendeu uma estratégia de segurança na qual a Rússia se veja refletida.

Como primeiro passo, propôs revitalizar o Conselho OTAN-Rússia e transformá-lo em um fórum de diálogo permanente sobre todos os assuntos relacionados à paz e à estabilidade na Europa.

"A Rússia tem que perceber que a Otan está aqui para ficar", ressaltou.

"A Rússia é uma grande potência europeia, com seus próprios pontos de vista e interesses", complementou.

O discurso de Rasmussen foi considerado como positivo e construtivo pelo embaixador russo perante a Otan, Dmitri Rogozin, que confiou em que suas palavras se transformem em ações imediatas.

As palavras do novo secretário-geral da Aliança não agradaram a todos, principalmente os aliados.

Por isso, ratificou que o secretário-geral deverá mostrar vontade política e não de burocrata, para colocar em prática as ideias de aprovação da nova Administração americana. EFE met/dm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG