Otan procura responsável por vazar informações sobre traficantes afegãos

Bruxelas, 4 fev (EFE).- A Otan advertiu hoje que buscará até debaixo das pedras os culpados de vazar à imprensa um documento confidencial no qual se sugeria matar os narcotraficantes afegãos sem ter de provar sua ligação com os insurgentes.

EFE |

O porta-voz da Otan, James Appathurai, assegurou hoje que "a investigação começou, tanto em nível militar como civil", e que o secretário-geral, Jaap de Hoop Scheffer, "está absolutamente determinado a buscar até debaixo das pedras os responsáveis pela publicação do documento".

A polêmica surgiu na quinta-feira passada, quando o jornal alemão "Der Spiegel" publicou um relatório confidencial no qual um general americano e outro alemão da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) rejeitam a "orientação" de atacar diretamente os narcotraficantes, por ir contra seus princípios e as normas em conflitos armados.

Essa ordem tinha sido transmitida pelo comandante supremo John Craddock, que por sua vez, segundo a Otan, respondia a uma decisão dos ministros da Defesa em Budapeste em outubro do ano passado.

"Agora, Craddock adotou o conselho dos dois gerais", explicou hoje Appathurai, que insistiu em que se tratava de uma troca de pontos de vista antes de adotar uma estratégia.

"É absolutamente inaceitável o vazamento para a imprensa de documentos em uma fase na qual decisões desta importância não foram adotadas", disse o porta-voz.

Se o responsável pelo vazamento das informações for encontrado, pode ser expulso da organização, segundo fontes aliadas.

A carta ao general americano David McKiernan e seu colega alemão Egon Ramm indicava que a Otan se propunha a "atacar diretamente os produtores de droga e suas instalações em todo o Afeganistão, até mesmo sem encontrar provas ou evidências de que cada traficante ou instalação de narcóticos no país cumpre os critérios para ser um alvo militar".

"A Otan decidiu que (os narcotraficantes) estão intimamente ligados às forças de oposição, e por isso devem ser atacados", afirmava Craddock aos generais.

Na cúpula de ministros da Defesa em outubro do ano passado em Budapeste, ficou estipulado que cada país decidira seu envolvimento na luta contra o tráfico de ópio, que segundo os EUA fornece entre US$ 60 e US$ 80 milhões por ano aos talibãs. EFE met/mh

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