Otan pede último esforço para aplicação de estratégia no Afeganistão

Istambul (Turquia), 5 fev (EFE).- A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) pediu hoje um último esforço no Afeganistão com o envio de mais unidades de instrutores e assessores, a fim de aplicar a nova estratégia para o país.

EFE |

Durante uma reunião informal em Istambul, os ministros de Defesa da Otan apoiaram a nova estratégia, que consiste em reforçar a ação do Governo afegão no plano civil, enquanto o Exército e a Polícia do país começam a assumir em 2010 a responsabilidade pela segurança de algumas áreas e lançam operações contra insurgentes.

Neste sentido, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, antecipou que uma grande operação dirigida pelo Exército afegão será realizada na conflituosa província de Helmand (sul) e será "uma demonstração" da nova capacidade das tropas de Cabul.

Na entrevista coletiva que fechou a reunião, Rasmussen confiou que esta operação e as seguintes serão "um sucesso que demonstrará ao povo afegão que há progresso".

O responsável pela Otan reconheceu que 2009 foi "um ano complicado" porque houve "muitas baixas", mas confiou em que o envio de quase 40 mil soldados nos próximos meses permitirá que os afegãos assumam de forma progressiva o controle da segurança em seu país.

"A situação é séria, mas está melhorando", disse por sua vez o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, Mesmo assim, o secretário-geral insistiu em que esta estratégia exige o envio de muitos instrutores e assessores para levar o Exército e a Polícia afegãos para mais de 300 mil membros em outubro de 2011.

"Insisti com os aliados para contribuírem mais" à missão de formação e instrução das forças de segurança, ressaltou Rasmussen, que reiterou seu pedido nesta reunião e em vários encontros bilaterais.

Gates apoiou essa linha ao afirmar que "mais instrutores são necessários" e estimou o número necessário em "vários milhares".

A Otan quer montar 21 equipes de formação para o Exército e mais 100 para a Polícia do Afeganistão.

Proteger os instrutores é um problema, já que são necessárias tropas para acompanhá-los em seus deslocamentos pelo país, mas Rasmussen lembrou que também faltam "1.300 instrutores em centros de formação, que não correriam riscos" nesses locais.

Além disso, foram debatidas na reunião algumas iniciativas para atender de forma conjunta algumas das carências mais importantes que a Força Internacional para a Assistência à Segurança (Isaf) tem no Afeganistão, especialmente a luta contra minas e artefatos explosivos, que são a principal causa de mortes de soldados nesse país.

Assim, os ministros aceitaram a proposta espanhola para criar um centro de referência na localidade espanhola de Hoyo de Manzanares, que dará formação específica a soldados de países de Isaf sobre as condições encontradas em solo afegão.

A iniciativa foi recebida "de maneira muito positiva por parte de todos os aliados", disse a ministra da Defesa espanhola, Carme Chacón.

Os EUA ofereceram aos demais membros de Isaf veículos especialmente protegidos para resistir a ataques com minas e emboscadas, os chamados MRAP, sobre os quais destacou que "oferecem melhor proteção do que a que nossos aliados têm agora".

Gates ofereceu também aparatos de alta tecnologia como inibidores de frequência, aparatos de detecção, robôs antibomba, sistemas de vigilância e radares de exploração subterrânea.

Os artefatos que explodem durante a passagem de veículos militares, como a mina que matou na segunda-feira passada o soldado espanhol de origem colombiana John Felipe Romero Meneses, continuam sendo "a maior ameaça" para as tropas da Isaf, afirmou o secretário americano. EFE rcf/bba

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