O secretário-geral a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Jaap de Hoop Scheffer, desafiou os europeus, principalmente a França e a Alemanha, a darem, enviando mais reforços ao Afeganistão, um conteúdo concreto ao reequilíbrio que eles defendem com os EUA na aliança.

"A chanceler (Angela) Merkel e o presidente (Nicolas) Sarkozy falaram no mesmo tom esta semana. Devemos encontrar um novo equilíbrio na divisão das tarefas. Para as missões, devem ir no mesmo sentido", disse Hoop Scheffer na Conferência sobre a segurança de Munique.

"Mas", acrescentou, "fico preocupando quando os Estados Unidos querem aumentar sua contribuição no Afeganistão e outros parceiros não". "Isso não é bom", declarou.

A nova administração de Barack Obama anunciou sua intenção de enviar 20.000 a 30.000 soldados extras ao Afeganistão, para encontrar os 36.000 que já estão lá.

Do lado francês como do lado alemão, não há projetos de enviar novos reforços. A França tem 2.800 soldados em território afegão e a Alemanha fixou um limite de 4.500.

"Sarkozy e Merkel disseram que a Europa existe e que ela tem vontade de utilizar suas capacidades", insistiu o secretário-geral da Otan.

"Uma parceria transatlântica sólida só pode durar se os dois lados do Atlântico assumem sua parte do fardo", acrescentou.

"O que isso quer dizer dentro da Otan? Está aí uma pergunta que vem a calhar para a cúpula" da aliança marcada para início de abril em Estrasburgo (França) e Kehl (Alemanha), declarou.

Hoop Scheffer discursou antes de Merkel e Sarkozy na conferência de Munique. Ele também atacou a "insuficiência dos esforços da UE no Afeganistão e a dificuldade de coordenar a ações nesse país".

A UE realiza uma missão de polícia no Afeganistão de aproximadamente 200 instrutores encarregados de formar os policiais afegãos. Mas ela tem dificuldades de encontrar os 400 policiais europeus que pretende enviar daqui a abril. E sua ação nas províncias afegãs impõe problemas de segurança.

"A relação Otan-UE é fundamental, mas a situação que estamos enfrentando é uma fonte de frustração", declarou Jaap de Hoop Scheffer.

"O reforço dos efetivos militares pela Isaf, a força internacional enviada sob comando da Otan, deve ser absolutamente acompanhada de um esforço civil, mesmo se a UE desempenha um papel já importante", disse.

O comandante-em-chefe da UE, Javier Solana, em resposta, destacou os avanços já realizados na cooperação no âmbito político com a Otan.

Ele lembrou seus próprios encontros frequentes com o secretário-geral da Otan, e os contatos a diferentes níveis de estrutura pelas duas organizações.

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