Otan pede desculpas pela morte de civis no Afeganistão

Pedido de desculpas é feito um dia depois de presidente afegão criticar morte de civis em ataque da organização no sábado

iG São Paulo |

AP
Hamid Karzai fala à imprensa do palácio presidencial, em Cabul (02/05/2011)
A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) emitiu nesta segunda-feira um comunicado no qual pediu perdão pela morte de nove civis em um bombardeio aéreo no sábado na Província de Helmand, sul do Afeganistão. O pedido de desculpas foi feito um dia depois de o presidente afegão, Hamid Karzai, ter criticado o "assassinato" de 14 civis . Em comunicado, ele disse que fazia uma "última advertência às tropas e autoridades americanas" ao exigir o fim das operações "unilaterais".

"Em nome da coalizão ofereço nossas sinceras desculpas aos familiares e amigos dos mortos pelos nove civis mortos durante incidente no distrito de Nowzad, na Província de Helmand, em 28 de maio", diz no texto John Toolan, comandante-chefe da missão da Otan (Força Internacional de Assistência à Segurança - Isaf) na região sudoeste do Afeganistão.

Segundo as autoridades provinciais, 14 civis, incluindo dez crianças e duas mulheres, morreram vítimas dos foguetes disparados contra duas casas por helicópteros da Otan que apoiavam uma posição da Aliança atacada por insurgentes.

No comunicado da Otan, assinado conjuntamente pelo chefe da Isaf, o general David Petraeus, e seu número dois, o general David Rodríguez, afirma-se que "a coalizão leva muito a sério cada ferido ou morte de civis e tentará prevenir no futuro esse tipo de incidentes". Segundo a informação à disposição das forças da Isaf, um marine morre durante ataque contra uma patrulha da coalizão por cinco insurgentes no distrito de Naw Zad, Província de Helmand.

"Posteriormente, os cinco insurgentes continuaram atacando de uma casa próxima, o que forçou as tropas da Otan solicitarem ajuda área para neutralizar o ataque", indica o relatório. "Infelizmente, após o ataque se descobriu que o lugar onde os insurgentes haviam entrincheirado era na realidade a casa de civis inocentes", diz a Isaf no comunicado.

O relatório da Otan afirma que uma investigação exaustiva está sendo realizada para determinar os detalhes exatos que provocaram o incidente. No comunicado se pede perdão pela morte de nove civis, embora, segundo fontes oficiais afegãs, o ataque tenha deixado 14 mortos que não eram insurgentes.

Reação da Casa Branca

No domingo, a Casa Branca assegurou que "compartilha" e leva "muito seriamente" as preocupações do presidente afegão sobre os bombardeios americanos e de forças da Otan que causam vítimas civis, disse o porta-voz Jay Carney em resposta ao comunicado de Hamid Karzai.

Em um avião a caminho do Missouri, onde o presidente Barack Obama visitou a região afetada pelos tornados em Joplin, Carney reconheceu que não tinha falado sobre o tema com o presidente, mas que este "compartilhava" as preocupações de Cabul.

"Como sabem, trabalhamos muito duro, com nossos militares no Afeganistão, para fazer tudo o que possamos para evitar mortes de civis", disse Carney. O porta-voz ressaltou que as operações são coordenadas com o governo e o Exército afegãos com esse objetivo.

Karzai, de viagem oficial ao Turcomenistão, anunciou no sábado que pediu a seu Ministério da Defesa que ponha fim às operações "não coordenadas" da Isaf no Afeganistão e assuma o controle das ações noturnas.

As mortes de civis são um dos pontos de atrito frequentes entre o governo afegão e as tropas internacionais posicionadas no país, cerca de 150 mil soldados. As organizações de direitos humanos atribuem à milícia islâmica do Taleban a maioria das mortes de civis.

Segundo dados da missão das Nações Unidas no Afeganistão (Unama), 2.777 civis morreram no ano passado pela violência, o que representa um aumento de 15% em relação a 2009.

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