Otan nega ter matado civis no Afeganistão

As forças internacionais no Afeganistão negaram nesta quarta-feira as acusações do governo afegão de que soldados da Otan tenham matado 10 civis, incluindo oito adolescentes.

AFP |

Um relatório divulgado pelo gabinete do presidente afegão, Hamid Karzai, afirmando que tropas estrangeiras tiraram os civis de suas casas à força e os mataram, aumentou a tensão entre o governante e as forças da coalizão liderada pelos Estados Unidos que apóiam seu mandato.

"As evidências que temos apontam que não houve baixas civis", disse à AFP um oficial da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Otan.

"Todas as pessoas apontadas como vítimas são homens em idade de combate", acrescentou, falando sob condição de anonimato.

As unidades internacionais envolvidas no incidente pertencem às Forças Especiais americanas, indicou, e não inclui nenhum membro das tropas da Otan.

Anteriormente, a Otan havia informado que não tinha nenhuma informação sobre as operações mencionadas pelo governo.

O coronel americano Wayne Shanks, porta-voz da Isaf, declarou nesta quarta-feira que o incidente está sob investigação e que a operação militar em questão foi uma "operação conjunta" de forças afegãs e estrangeiras.

A equipe de investigação do gabinete presidencial afegão afirma que as mortes ocorreram na noite do último sábado na província de Kunar (leste), e que entre as vítimas há oito adolescentes com idades entre 13 e 17 anos.

Protestos contra os Estados Unidos foram registrados em pelo menos duas cidades depois que a notícia das mortes se espalhou.

As forças internacionais baseadas em Kunar e a polícia local disseram aos investigadores do governo que "não sabiam sobre o incidente", informou à AFP Asadullah Wafa, ex-governador da província de Kunar, que coordena as investigações.

Um soldado americano em Asadabad, capital de Kunar, disse que nenhum dos mortos era "inocente", e que todos estavam armados e atirando contra as tropas - americanas e afegãs - quando as patrulhas entraram no distrito.

"Essas pessoas estavam atirando em nós e nós tivemos que atirar de volta. Senão (...) teríamos nos ferido", relatou o capitão Joe Sanfilippo.

"É sempre triste quando alguém morre, mas neste caso foi justificado porque nós estpavamos nos defendendo", acrescentou.

O capitão revelou que uma busca nas casas do vilarejo terminou com a apreensão de "seis a nove" rifles Kalashnikov em nitrato de amônia, fertilizante utilizado por insurgentes do Talibã para fabricar artefatos explosivos.

sak-lod/ap

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