Otan endurece sua postura e revisará as relações com a Rússia

Bruxelas, 19 ago (EFE) - Os países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) decidiram hoje endurecer sua posição frente à Rússia, e chegaram ao acordo de que as relações entre as duas partes não podem continuar as mesmas após a atuação de Moscou no conflito da Geórgia.

EFE |

"A ação militar da Rússia foi desproporcional e contrária a seu papel de manutenção da paz, assim como incompatível com os princípios da resolução pacífica de conflitos", afirmaram os ministros de Exteriores dos membros da organização, em comunicado após a reunião extraordinária realizada em Bruxelas.

A Aliança está considerando "seriamente as repercussões das ações russas em sua relação com a Otan", assinala a declaração, que volta a pedir à Rússia a "retirada imediata" de suas tropas para as posições que ocupavam antes do início das hostilidades.

"É o momento de o presidente russo (Dmitri Medvedev) cumprir os compromissos" do acordo de paz, afirmou a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.

Se o Kremlin não retirar suas tropas da Geórgia, a União Européia (UE) também poderá tomar medidas, segundo advertiram hoje o ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, e o alto representante para Política Externa e Segurança Comum da UE, Javier Solana.

Embora a Otan não tenha tomado nenhuma decisão sobre a suspensão de projetos de cooperação militar e de encontros ministeriais com a Rússia como se especulava, a reunião de hoje deixou clara a intenção da organização de aumentar a pressão sobre Moscou.

Além disso, a aliança pede para que a Rússia dê o primeiro passo, se quiser retornar à normalidade.

"O futuro dependerá das ações da Rússia", disse o secretário-geral da Aliança, Jaap de Hoop Scheffer, que acrescentou que não poder "conceber" uma reunião com o país - como solicitou Moscou na semana passada - enquanto forças russas ocuparem "grande parte da Geórgia".

Scheffer insistiu para que a Rússia cumpra "todos os pontos" do acordo de paz, mas, segundo ele, por enquanto "não há notícias" de que isso esteja ocorrendo.

Por sua vez, o Governo americano afirmou que a Otan não permitirá que Moscou trace uma "nova linha" na Europa, para separar os países integrados na estrutura de segurança da Otan dos que estão fora.

Rice negou que seu Governo esteja buscando o isolamento da Rússia e disse que o próprio país está se isolando "com seu comportamento".

Em resposta, o embaixador russo na Otan, Dmitri Rogozin, acusou a Aliança de "seguir ancorada na Guerra Fria" e anunciou que Moscou também tem a intenção de revisar sua cooperação com a organização.

Para Rogozin, apesar da dura mensagem lançada hoje pela Otan contra a atuação de Moscou na Geórgia, "ninguém quer nem pode romper laços com a Rússia".

Neste sentido, embora todos os ministros da Otan concordem em endurecer o tom contra a Rússia, hoje voltou a ficar claro que não há unanimidade em torno da linha dura defendida por Washington.

O titular de Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, disse que a estabilidade na região caucásica não será alcançada sem a participação de todas as partes no conflito, enquanto que para o britânico David Miliband, o isolamento da Rússia também não é a resposta adequada.

Os membros da Otan também enviaram uma mensagem de apoio à Geórgia e insistiram em que a solução para esta crise passa pelo "respeito absoluto à independência, soberania e integridade territorial" deste país.

Eles reafirmaram que mantêm seus compromissos em relação à futura adesão de Tbilisi à organização e concordaram em estabelecer uma comissão Otan-Geórgia para avaliar suas possibilidades de cooperação.

A Aliança enviará assistência para avaliar os danos que os bombardeios russos causaram nas infra-estruturas georgianas e contribuirá para restaurar os serviços essenciais no país.

Em relação às regiões separatistas Abkházia e Ossétia do Sul, os membros defenderam o início de uma discussão internacional para garantir a "segurança e estabilidade" nas duas áreas.

Paralelamente ao encontro da Otan, a Organização para a Cooperação e a Segurança na Europa (OSCE) chegou hoje a um acordo para o envio imediato de 20 novos observadores militares à Geórgia, uma missão que nos próximos dias será ampliada para cem soldados.

EFE mvs/ab/db

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