Otan encerra cúpula de aniversário com novo chefe e apoio a Afeganistão

Estrasburgo (França), 4 abr (EFE).- Os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) decidiram hoje reforçar seu compromisso com o Afeganistão, atualizar sua estratégia e designar o primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen, como secretário-geral a partir de 1º de agosto.

EFE |

A cúpula da Otan terminou hoje com vários acordos unânimes, que provam que a organização "goza de boa saúde" com seus 60 anos recém-completados, resumiu, em entrevista coletiva, o ainda secretário-geral da Aliança, Jaap de Hoop Scheffer.

Além disso, os aliados deram as boas-vindas a dois novos Estados-membros, a Albânia e a Croácia, comemoraram a reincorporação da França à estrutura militar, após 43 anos de ausência, e decidiram revitalizar a relação com a Rússia.

Os dois anfitriões da cúpula, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chefe do Governo alemão, Angela Merkel, mostraram-se, em entrevista coletiva, orgulhosos da unanimidade atingida, que atribuíram à "total identidade" entre eles e ao peso decisivo do "eixo" franco-alemão.

As objeções do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdongan, à nomeação de Rasmussen, devido ao comportamento do dinamarquês há alguns anos na chamada "crise das charges" de Maomé, estiveram a ponto de prejudicar essa imagem de unidade.

Segundo próprio Erdogan, essa objeção a Rasmussen foi resolvida pela intervenção do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

A agência de notícias "Anadolu" afirmou que, até a manhã de hoje, houve várias conversas entre Erdogan, o presidente turco, Abdullah Gül, e outros líderes europeus, no final das quais Gül deu o voto afirmativo a Rasmussen.

A razão desta mudança de atitude é que "o presidente Obama garantiu uma solução às objeções turcas", disse hoje Erdogan.

"Há tantos desafios importantes aos quais temos que enfrentar, que não podemos nos entretener em mal-entendidos ou suscetibilidades", disse o presidente francês.

Sessenta anos depois da assinatura, em Washington, do tratado que deu origem à Otan, em plena Guerra Fria, os 28 Governos reafirmaram hoje a vigência dos princípios fundadores e sua fé no futuro da organização.

A declaração da cúpula de Estrasburgo e Kehl volta a proclamar que a segurança da Europa e dos Estados Unidos é "indivisível", e que a finalidade primeira continua sendo "a defesa coletiva de nossa população, do território e das forças de nossos países".

No entanto, os países-membros consideram a Otan como "uma aliança adaptável", nas palavras da chanceler alemã, uma aliança disposta a enfrentar novas ameaças, como a luta contra o terrorismo cibernético, a proteção das rotas de energia e a perseguição da pirataria.

De fato, com mais de 75 mil soldados mobilizados em missões que nada têm a ver com a defesa territorial da Europa, a Otan entrou há tempos no século XXI.

A operação mais importante de todas, a que dirige no Afeganistão, ocupou a maior parte dos trabalhos dos dirigentes aliados durante estes dois dias de reuniões e atos que foram distribuídos entre a cidade francesa de Estrasburgo e as alemãs de Kehl e Baden-Baden.

Como novidade, a Otan decidiu nesta reunião estabelecer uma missão central de treinamento das forças de segurança afegãs (Exército e Polícia), dentro da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) que lidera.

Essa missão colocará ordem e impulsionará o processo de capacitação das forças afegãs, principalmente da Polícia, que tropeça nos maiores problemas, a fim de acelerar ao máximo a transferência de responsabilidades às autoridades afegãs.

Os europeus receberam com entusiasmo a nova estratégia de Obama para o Afeganistão e o Paquistão, baseada em um enfoque global (não só militar), regional (envolvendo os países vizinhos) e na "afeganização" progressiva das responsabilidades.

Segundo o presidente Sarkozy, este é o enfoque que os europeus vinham defendendo há meses, para encontrar uma solução estável ao conflito no país asiático.

Merkel destacou também a decisão unânime dos Governos aliados de "revitalizar" as relações com a Rússia.

Sem arrematar os "desacordos profundos" surgidos por causa da invasão russa de uma parte do território georgiano no ano passado, a Aliança voltou a estender a mão a Moscou para "explorar ao máximo" as possibilidades de cooperação dentro do Conselho Otan-Rússia reformado.

Scheffer também estimou a decisão de rever o "conceito estratégico" onde se definem as tarefas e objetivos da Aliança, que já tem dez anos e não corresponde à prática da organização. EFE jms/an

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