Bucareste, 4 abr (EFE).- Perto de completar seu 60º aniversário, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) determinou em Bucareste as bases de uma nova agenda de segurança para um mundo que já não gira mais em torno de blocos de países que se enfrentam.

Na cúpula de Bucareste, especialmente longa, os líderes aliados fizeram frente nestes três últimos dias a algumas de suas obrigações mais imediatas, como a estabilização dos Bálcãs e a campanha do Afeganistão, mas também prepararam o caminho para uma atualização da doutrina.

A luta contra o terrorismo, a defesa antimísseis e a proteção das infra-estruturas energéticas vitais ou frente aos ataques cibernéticos foram confirmados como âmbitos nos quais a Aliança tem um papel a desempenhar.

Em um ano, se comemorará o 60º aniversário da organização, que seus atuais 26 membros qualificam como "a aliança mais bem-sucedida da história".

A celebração virá marcada por uma cúpula extraordinária, que acontecerá pela primeira vez simultaneamente em duas cidades - Estrasburgo (França) e Kehl (Alemanha), símbolos da guerra na Europa e da posterior reconciliação.

O secretário-geral da Otan, o holandês Jaap de Hoop Scheffer, propôs aproveitar a oportunidade para ressaltar o fato de que a Aliança - apesar das mudanças que representaram a queda dos regimes comunistas, o fim do Pacto de Varsóvia e a unificação da Europa - seguiu e seguirá tendo uma função vital.

Os aliados pretendem aprovar na cúpula de Estrasburgo-Kehl uma Declaração Atlântica que proporcionará "clareza conceptual" na definição das missões e objetivos da Otan para "hoje e amanhã", segundo explicou em Bucareste o próprio Scheffer.

Esta semana, os líderes da Otan confirmaram a vitalidade da organização convidando outros dois países europeus - Croácia e Albânia - a abrir negociações para sua adesão, o que poderia, se tudo correr bem, virar realidade daqui a um ano.

Embora a Otan insista que qualquer novo membro tem que ser fornecedor de segurança, e não só consumidor dela, está claro que a incorporação da Albânia e da Macedônia, dois dos países mais pobres da Europa, tem como finalidade principal tutelar sua evolução limitando o impacto desestabilizador da independência do vizinho Kosovo.

A Otan como força militar já está presente no Kosovo, onde comanda os 16 mil soldados da KFOR encarregados pela ONU de manter a paz entre a maioria albanesa e a minoria sérvia.

Os 26 membros da Aliança se comprometeram em Bucareste a continuar transformando a Otan a fim de contribuir eficazmente "para a segurança internacional no século XXI".

"Já não há blocos opositores, não há Guerra Fria, mas novas ameaças, e a Otan tem que seguir se adaptando", concluiu o ministro espanhol de Assuntos Exteriores, Miguel Ángel Moratinos. EFE jms/fb

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