Otan desafia Rússia ao criar comissão Otan-Geórgia

Misha Vignanski. Tbilisi, 15 set (EFE).- Os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte desafiaram hoje a Rússia com a criação da Comissão Otan-Geórgia, além de pedirem ao Kremlin que volte atrás na decisão de reconhecer a independência das regiões separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul.

EFE |

"Este é um acordo muito significativo (...) A Otan está disposta a ajudar a Geórgia em suas aspirações de entrada na Aliança Atlântica", afirmou seu secretário-geral, Jaap de Hoop Scheffer, em coletiva de imprensa em Tbilisi.

Scheffer, que se reuniu hoje com o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, ressaltou que "o novo formato aprofundará e reforçará a cooperação" entre ambas as partes.

A iniciativa de criar uma comissão foi adotada na reunião extraordinária de chanceleres da Otan realizada em 20 de agosto, 12 dias após a eclosão da guerra na Ossétia do Sul.

Além disso, antecipou que a Otan estudará em sua cúpula de ministros de Assuntos Exteriores de dezembro a "possibilidade de convidar" a Geórgia ao Plano de Ação para a Adesão (MAP), considerada a porta de entrada do país na aliança.

Para isso, segundo ele, Tbilisi deve prosseguir as reformas democráticas, condição indispensável para poder ter acesso ao MAP.

"Viemos apoiar a Geórgia nesta difícil situação política.

Reconhecemos a integridade territorial da Geórgia e vemos a Abkházia e Ossétia do Sul" como partes de seu território, afirmou.

Scheffer ressaltou que os membros da Otan "condenam o reconhecimento russo da independência" dessas regiões separatistas georgianas.

"Só a Rússia e a Nicarágua" reconheceram a independência. "Somos partidários de que a Rússia retire esse reconhecimento", disse.

Além disso, ele pediu hoje a Moscou que cumpra o plano europeu de para o conflito assinado pelo chefe de Estado russo, Dmitri Medvedev, e pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, e acusou a Rússia de um uso "desproporcional" da força militar.

"Os russos infringiram o acordo. A Otan o apóia e espera que a Rússia o cumpra", disse.

Antes de viajar para Tbilisi, o chefe da Aliança Atlântica classificou de "inaceitável" o acordo entre a Rússia e os separatistas para a ocupação de 3.800 tropas regulares em cada uma dessas regiões, em substituição às forças de paz.

Já Saakashvili assegurou que a "Geórgia não renunciará às ambições de entrada na Otan, já que vê na aliança a garantia de segurança e integridade territorial".

A cooperação entre Geórgia e Otan "não se dirige contra nenhum outro país", declarou em clara alusão à Rússia, a que acusou de ser o iniciador das hostilidades na Ossétia do Sul.

"A Rússia enviou à fronteira com a Geórgia 40 mil soldados.

Queria derrubar o Governo democraticamente eleito da Geórgia, mudar nossa política externa", afirmou.

O presidente georgiano acrescentou que a guerra foi "um ato de agressão por parte da Rússia" e a acusa de anexar seus territórios.

Saakashvili, considerado o principal aliado do Ocidente no Cáucaso e qualificado de "cadáver político" pelo Kremlin, agradeceu a Scheffer por seu apoio durante e depois da guerra.

"Sua presença envia um sinal muito importante ao mundo de que a Geórgia, junto a seus aliados, não está só. A relação entre a Otan e a Geórgia deve ser ainda mais forte", ressaltou.

Na sexta-feira, Medvedev advertiu que a entrada da Geórgia na Otan seria "uma humilhação intolerável para a Rússia" e seria interpretada em Moscou como um "prêmio" para o país agressor.

O chanceler russo, Serguei Lavrov, chegou hoje à Ossétia do Sul para se reunir com o líder separatista Eduard Kokoiti e ultimar a assinatura de vários acordos bilaterais.

"A principal ameaça para a paz na região provém da Geórgia", afirmou.

A respeito, ele pediu à UE que exerça seu papel de "fiador da paz" na região e exija que Saakashvili renuncie definitivamente ao uso da força.

Por outro lado, o presidente russo deu hoje o sinal verde ao projeto de acordo de amizade, cooperação e assistência mútua que a Rússia assinará na quarta-feira com a Abkházia e a Ossétia do Sul.

O acordo de assistência em caso de agressão exterior é similar aos que a União Soviética assinava com os países-membros do Pacto de Varsóvia e abre a possibilidade à Rússia de utilizar as infra-estruturas já existentes ou construir novas instalações militares no território dessas duas regiões separatistas. EFE io/ab/rr

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