Otan convida Croácia e Albânia; Ucrânia, Geórgia e Macedônia ficam de fora

Albânia e Croácia foram convidadas oficialmente nesta quinta-feira, na reunião de cúpula da Otan, em Bucareste, capital da Romênia, para se unirem à Aliança Atlântica, um objetivo que Geórgia, Ucrânia e Macedônia terão que deixar para mais tarde.

AFP |

Os líderes da Otan rejeitaram as candidaturas imediatas da Geórgia e da Ucrânia, mas prometeram uma adesão no futuro, um compromisso intermediário entre a posição dos Estados Unidos e a de alguns países europeus que não agrada a Rússia.

Em sua terceira reunião de cúpula em um país do antigo bloco comunista, a Otan convidou formalmente Albânia e Croácia, mas freou as aspirações da Macedônia, que terá que resolver o problema bilateral que enfrenta com a Grécia pela questão da utilização de seu nome antes de entrar para a Aliança.

Croácia e Albânia serão os sócios 27 e 28 da Otan, ao fim do processo de adesão e ratificação, que deve durar um ano, segundo diplomatas euro-atlánticos.

"Estou feliz, como todos vocês, de poder receber os presidentes e primeiros-ministros da Albânia e Croácia", disse o secretário-geral da organização, Jaap de Hoop Scheffer, durante uma sessão especial, diante dos aplausos do presidente americano, George W. Bush, e outros líderes da Otan.

De Hoop Scheffer destacou as reformas realizadas pelos dois países para cumprir os critérios políticos e técnicos exigidos pela Aliança Atlântica.

"A adesão de vocês vai reforçar a Otan", disse, ao comentar a terceira ampliação da Otan desde o fim da Guerra Fria com a extinta União Soviética, a segunda nos Bálcãs após a entrada da Eslovênia em 2004.

O presidente dos Estados Unidos saudou o convite formulado a Albânia e Croácia, mas lamentou que o mesmo não tenha acontecido com a Macedônia.

Bush também afirmou que o processo de ampliação da Otan prossegue, sem mencionar no entanto os casos de Geórgia e Ucrânia.

"Fico satisfeito de que a Aliança tenha concordado em convidar Albânia e Croácia para se tornarem membros da Otan", disse Bush.

"Lamento que não tenhamos sido capazes de alcançar um consenso hoje para convidar a Macedônia", acrescentou.

A Macedônia não concretizou o desejo, apesar de ser candidata desde 1999. Por isto, sua delegação deixou a reunião visivelmente irritada.

"Um convite será feito quando se alcançar uma solução aceitável por ambas as partes", disse uma fonte da Otan, a respeito de Skopje.

A Macedônia deseja ser conhecida internacionalmente como República da Macedônia, mas a Grécia não aceita o nome por considerar que isto poderia implicar pretensões territoriais sobre sua região setentrional de mesmo nome.

No caso de Geórgia e Ucrânia, a questão é ainda mais complexa. Após duras negociações até o último minuto entre defensores do "sim", liderados pelo presidente americano, e partidários do "não", liderados pela chanceler alemã Angela Merkel, os 26 membros da Otan chegaram a um difícil compromisso.

"A Otan saúda as aspirações euroatlânticas de Ucrânia e Geórgia e os dirigentes da Otan se comprometeram a que estes dois países se convertam um dia em membros da Aliança", declarou Hoop Scheffer.

Deste modo, Bush não conseguiu impor a pretensão de que os dois países fossem admitidos como candidatos em Bucareste, mas garantiu ao menos na sua última reunião de cúpula que as antigas repúblicas soviéticas tenham um futuro euroatlântico.

Para a Geórgia, o resultado foi "histórico". "Tomamos a decisão de aceitar que avançamos para uma adesão à Otan e consideramos isto como um êxito histórico", declarou à AFP o ministro georgiano da Integração Européia, Giorgi Baramidze.

A Rússia não desperdiçou mais uma oportunidade para afirmar que a entrada da Geórgia e Ucrânia na Otan constituirá "um erro estratégico, com conseqüências muito sérias" para a segurança na Europa, segundo o vice-ministro das Relações Exteriores de Moscou, Alanxander Gruchko.

Ainda na plenária desta quinta-feira, o presidente francês Nicolas Sarkozy confirmou o envio de um batalhão adicional de 700 soldados ao leste do Afeganistão para reforçar a missão da Otan em meio à complicada situação nesta região e no sul do país, com a resistência talibã.

A Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), liderada pela Otan desde 2003, tem atualmente 47.000 homens de 39 países e deve aumentar os efetivos a 50.000, graças aos reforços prometidos por 11 países.

À margem da reunião, Estados Unidos e a República Tcheca chegaram a um acordo para instalar parte do escudo antimísseis americano em território tcheco, anunciaram os dois países.

A questão promete dar o que falar na reunião inédita da Otan na sexta-feira com o presidente russo, Vladimir Putin.

Por fim, os líderes da Otan decidiram que a próxima reunião de cúpula da organização, em abril de 2009, acontecerá nas cidades de Estrasburgo e Kehl, na fronteira França-Alemanha, por ocasião do aniversário de 60 anos da Aliança Atlântica.

Alemanha e França chegaram a um acordo e apresentaram a proposta conjunta para o encontro de 2009, que acontecerá dos dois lados do rio Reno, como símbolo da reunificação da Europa.

bur-mar/fp

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