Por Matt Robinson e Margarita Antidze TBILISI (Reuters) - A Otan iniciou na quarta-feira uma série de exercícios militares na Geórgia, algo visto como um fator de instabilidade pela Rússia, vencedora de uma breve guerra no ano passado contra o país vizinho.

O presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, acusou Moscou de tentar promover um golpe militar, já que na terça-feira um batalhão de tanques rebelou-se contra o seu governo.

O motim terminou sem violência, mas ofuscou o início do treinamento, que vai durar um mês e envolverá mais de mil soldados da Otan, com ênfase na reação a crises e preparação de tropas de paz.

Soldados franceses e canadenses estão montando um centro de comando na base aérea de Vaziani, no passado usada por forças russas. Os próximos dias serão usados na preparação de exercícios de campo a serem realizados na semana que vem. Os EUA também participam das manobras.

A Rússia vê com preocupação essa exibição de força na sua fronteira sul, e na terça-feira o embaixador de Moscou junto à Otan, Dmitry Rogozin, afirmou que a aliança faria melhor em realizar suas manobras "num hospício" do que num país onde há militares "rebelando-se contra o seu próprio presidente".

Complicando ainda mais o quadro, protestos da oposição georgiana há semanas paralisam a capital, exigindo sua renúncia por queixas contra a situação da democracia no país e a derrota militar de 2008.

Na noite de quarta-feira, centenas de manifestantes enfrentaram a polícia nos arredores da principal delegacia de Tbilisi, enquanto a tropa de choque se agrupava no interior do prédio.

A oposição também questiona a explicação do governo para o motim.

"Há muitas versões sobre o que realmente aconteceu, mas a que foi oferecida pelas autoridades é a menos crível", disse Tina Khidasheli, do oposicionista Partido Republicano.

O treinamento, planejado há um ano, coincide com a retomada dos contatos formais entre Rússia e Otan, rompidos na época da guerra da Geórgia. Naquela ocasião, Tbilisi tentou retomar à força o controle da república separatista da Ossétia do Sul, atraindo uma reação militar de Moscou, considerada desproporcional pelo Ocidente.

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