Otan chega a acordo contra drogas no Afeganistão e reafirma ajuda à Geórgia

Budapeste, 10 out (EFE).- Os ministros da Defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) chegaram hoje a um acordo político que dá liberdade aos países para que suas tropas lutem contra o tráfico de drogas no Afeganistão e reiteraram seu compromisso em ajudar a Geórgia a reconstruir seu sistema de defesa.

EFE |

A reunião informal de Budapeste conseguiu também alguns avanços limitados no processo de transformação da aliança, mas o acordo sobre o Afeganistão tomou a maior parte do tempo.

O acordo diz, ainda que de forma vaga, que a Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) "pode atuar contra instalações e indivíduos envolvidos com o narcotráfico que apóiem a insurgência, segundo a autorização dos respectivos países".

O secretário-geral da Otan, Jaan de Hoop Scheffer, destacou que finalmente houve um acordo "entre os 26 aliados" após as amplas desavenças de ontem, embora tenha respondido de forma evasiva a alguns pontos vagos do texto. Entre eles, sobre como demonstrar quais instituições ou traficantes apóiam os talibãs.

"Todo mundo envolvido nessa atividade deveria ter cuidado", afirmou, e descartou que o aumento de tropas no Afeganistão estudado pela Aliança Atlântica se deva às novas missões antidrogas.

A ministra da Defesa espanhola, Carme Chacón, avaliou positivamente o consenso conseguido para que a Isaf "apóie as autoridades afegãs na luta contra o narcotráfico" ao mesmo tempo em que se tenta "evitar" as mortes civis nestas operações.

O consenso foi alcançado depois que pelo menos 14 dos 26 países da Otan mostraram ontem oposição a que as tropas da Isaf se dediquem a missões antidrogas.

O Afeganistão é o primeiro produtor mundial de ópio e heroína, e 98% dos cultivos do primeiro estão concentrados em sete províncias do sul do país, justamente onde os talibãs são mais constantes em seus ataques contra as forças internacionais e afegãs.

Os ministros aliados se reuniram com o ministro da Defesa georgiano, Davit Kezerashvili, e voltaram a falar sobre um compromisso da organização com a reconstrução das capacidades de defesa do país após o conflito com a Rússia no último mês de agosto.

Scheffer ressaltou que a Otan "não vai fornecer armas à Geórgia, mas dará assessoria" em material de defesa e também apoio em questões como emergência civil.

Já Kezerashvili insistiu no compromisso de seu país em se transformar em uma "democracia madura" e em seu objetivo de ingressar na Aliança Atlântica.

A reunião de hoje não abordou a concessão à Geórgia do Plano de Ação para a Adesão (MAP), que será discutido em dezembro pelos chanceleres aliados, nem sobre o fato de ainda existir amplas diferenças dentro da organização.

O secretário-geral disse que, após a retirada russa das "zonas de segurança" em solo georgiano em torno da Ossétia do Sul e da Abkházia, ainda não é hora de normalizar as relações com Moscou.

A Otan congelou as reuniões de embaixadores com a Rússia após o conflito de agosto na Geórgia.

No capítulo sobre transformação da aliança, os ministros acordaram o aumento de 40% para 50% de suas forças armadas que podem ser desdobradas no exterior, embora sem uma data concreta, e também a ampliação de forças que podem se sustentar depois de desdobradas.

Por outro lado, o secretário-geral reconheceu que está "decepcionado" com a falta de avanços na questão dos helicópteros de transporte, dos quais a Otan tem grande carência para suas operações no exterior - motivo pelo qual pediu "mais vontade política" aos Governos.

Os ministros da Defesa aliados receberam de forma positiva uma série de propostas espanholas para potenciar a cooperação da Otan com sete países do sul e leste do Mediterrâneo, região que a Espanha considera fundamental para a estabilidade e a segurança da Europa.

EFE rcf/fh/rr

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