Bruxelas, 12 jun (EFE).- A Otan aprovou hoje, formalmente, o envio de uma missão de treinamento para as forças de segurança afegãs, no próximo outono, e repassou as contribuições dos aliados para garantir a segurança nas eleições do dia 20 de agosto, que, segundo as previsões, serão realizadas em um ambiente especialmente violento.

Os ministros da Defesa dos 28 países aliados, depois de se reunirem com o resto das nações contribuintes à Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), deram sinal verde às decisões políticas adotadas pelos chefes de estado ou Governo na cúpula, que aconteceu em abril, em Estrasburgo e Kehl.

Na reunião, os Governos ofereceram seu apoio à nova estratégia do presidente americano, Barack Obama, para o Afeganistão, que se resume em reforçar o lado civil, aumentar a ajuda econômica e promover a "afeganização" do conflito.

Em curto prazo, a prioridade é garantir a segurança nas próximas eleições afegãs, no dia 20 de agosto.

Segundo o secretário-geral aliado, Jaap de Hoop Scheffer, entre oito e dez mil soldados serão enviados para transportar material eleitoral, proteger os observadores internacionais e garantir a segurança, junto com a Polícia e o Exército afegãos.

Além disso, afirmou que os fundos arrecadados para as eleições chegam a 24 milhões de euros.

Entre as contribuições, os Estados Unidos são os mais importantes (quatro batalhões com entre 600 e 800 soldados). Em seguida vem o Reino Unido (900 soldados e 10,6 milhões de libras esterlinas), Espanha (450 soldados e cinco milhões de euros) e Itália (400 soldados e dez milhões de euros).

Além disso, a Grécia enviará dois equipamentos médicos, a Turquia quatro equipamentos médicos civis e militares e US$ 5 milhões; o Canadá 300 soldados, a Bélgica dois aviões F-16 e Portugal um avião C130.

Todos estes contribuintes, com exceção dos EUA, enviarão seus soldados apenas temporariamente, por um período que irá de julho, até 30 dias depois do processo eleitoral.

Mas outras nações se comprometeram em deixar alguns destes soldados no país, para trabalharem junto com a Isaf.

A Polônia vai a mandar 600 soldados, dos quais somente 200 voltarão para casa e a Alemanha também deixará alguns outros, sem especificar quantos dos 600 que vai fornecer serão mantidos no país.

A Holanda fará o mesmo, com o envio de 76 soldados.

Além disso, os ministros deram sinal verde para os oito mil homens e mulheres que se encarregarão de formar os corpos de segurança afegãos, incluindo o treinamento de forças paramilitares.

Serão responsáveis pela última função 300 membros de órgãos europeus: 150 militares, 40 guardas civis e agentes italianos, portugueses, romenos e, provavelmente, turcos.

Com a chegada de todos estes reforços, tanto Scheffer, quanto o secretário de Defesa americano, Robert Gates, advertiram que esperam uma época de "fortes enfrentamentos" no Afeganistão.

"Acho que a previsão realista da maioria das pessoas é que temos pela frente uma estação de fortes enfrentamentos", disse o americano.

Os EUA, que já tem 36 mil soldados no Afeganistão (a Otan alega que são mais de 60 mil), preveem enviar nos próximos meses outros 21 mil, 17 mil para os combates e quatro mil para o treinamento das forças de segurança afegãs.

O Governo espanhol pediu hoje autorização ao Congresso para enviar 532 militares, dos quais 450 formarão um batalhão para manter a segurança nas eleições de agosto. Entre estes, 70 serão destinados ao aeroporto de Cabul, a partir de outubro, e o resto serão instrutores. EFE met/pd

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