Otan aprova ampliação, mas posterga entrada de Ucrânia e Geórgia

José Manuel Sanz Bucareste, 3 abr (EFE).- A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) aprovou hoje sua ampliação em direção aos Bálcãs, a região mais instável da Europa, e reconheceu as intenções da Ucrânia e da Geórgia, duas ex-repúblicas soviéticas, de aderir à aliança militar.

EFE |

Em sua cúpula em Bucareste, os líderes da Otan convidaram formalmente a Croácia e a Albânia para iniciar imediatamente as negociações para a adesão, que poderia ser concluída em aproximadamente um ano.

A aliança militar não pôde estender o convite à Macedônia, o terceiro candidato balcânico, porque a Grécia continua se negando a reconhecer seu vizinho do norte enquanto mantiver esse nome.

Os gregos possuem uma região de seu Estado denominada "Macedônia", e consideram o nome parte de seu patrimônio cultural.

O comunicado final do Conselho Atlântico destacará que assim que gregos e macedônios resolverem a disputa do nome, a Macedônia também será convidada a negociar sua entrada na Otan.

Apesar das divisões internas, a cúpula chegou a um acordo para dar uma resposta escrita às aspirações de adesão de Ucrânia e Geórgia, dois países vizinhos da Rússia e que já cooperam estreitamente com a Otan e participam de suas operações militares, mas que queriam abrir processos formais de adesão.

Por enquanto, o Conselho não aceitou incluí-las dentro de seu programa individualizado de acesso, mas reconheceu claramente que as duas repúblicas poderão ser membros da aliança militar algum dia.

A mensagem da cúpula não é tranqüilizadora para a Rússia, cujo presidente, Vladimir Putin, chegará a Bucareste esta tarde para uma reunião com a Otan.

Em seu discurso aos países convidados, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, não hesitou esta manhã em se referir aos antigos satélites de Moscou que ingressaram na Otan como "países libertados".

Mas o certo é que, em lugar do Plano de Ação que Ucrânia e Geórgia desejavam em Bucareste, a cúpula concordou em abrir com os dois países apenas um período de "compromisso intensificado", durante o qual Otan, Kiev e Tbilisi tentarão superar as dificuldades e reservas políticas ainda existentes.

Ao contrário de Bush, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e outros dirigentes europeus insistiram até o final que não existe unanimidade suficiente entre os próprios ucranianos sobre a entrada de seu país na Otan, e que a Geórgia ainda tem um longo caminho a percorrer para conseguir estabilidade democrática.

Serão os ministros de Assuntos Exteriores dos Estados-membros da aliança militar que avaliarão, em dezembro, se o "compromisso intensificado" conseguiu superar esses obstáculos, para então admitir as duas Repúblicas dentro do Plano de Ação para a adesão, sem a necessidade de novas cúpulas.

Após confirmar esta manhã o acordo sobre a Croácia e a Albânia, os 26 dirigentes aliados convidaram os governantes dos dois países a entrarem na sala do Conselho Atlântico e a ocuparem lugares de honra junto ao secretário-geral da Aliança militar, Jaap de Hoop Scheffer.

Scheffer elogiou o grande esforço realizado pelos dois países para se aproximar dos padrões da Otan, e os incentivou a continuar trabalhando para que a adesão se torne realidade.

Os aliados, disse, acreditam que tanto a Croácia quanto a Albânia contribuirão para aumentar a segurança coletiva.

"Vocês vêm de uma região que até pouco tempo viveu terríveis conflitos", lembrou o secretário-geral da Otan.

"Sua chegada tem um significado especial: a abertura de uma nova era para toda a região. Mas vocês precisam estar conscientes de que a entrada na Otan traz também uma grande responsabilidade", acrescentou Scheffer.

O presidente da Albânia, Bamir Topi, disse que o convite aliado foi "o mais importante" feito ao país em sua história, e que é a realização de "um sonho nascido no mesmo dia em que se libertou do comunismo".

O primeiro-ministro albanês, Sali Berisha, arrancou aplausos dos membros do Conselho ao chamar, emocionado, o convite de hoje de "milagre da democracia".

"A história de nossa nação albanesa foi uma história pela sobrevivência. A nobre decisão de vocês é um reconhecimento à vontade dos albaneses de vencer o autoritarismo e abraçar a democracia e o estado de direito", declarou.

O presidente da Croácia, Stjepan Mesic, também discursou, e disse claramente que a decisão "é muito importante para a Otan, para a Croácia e para toda a região, porque incentiva outros países" a seguirem o exemplo.

O primeiro-ministro croata, Ivo Sanader, lembrou o duro passado da Croácia, e destacou que "sempre que a Otan se ampliou, estendeu com ela o âmbito da segurança e da liberdade". EFE jms/wr/gs

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG