Otan adverte a Rússia de que nada será como antes

A Otan considerou nesta terça-feira que já não poderá continuar trabalhando com a Rússia como até agora, e acusou Moscou de não respeitar os compromissos assumidos pelo presidente Dimitri Medvedev na crise com a Geórgia.

AFP |

"Chegamos à conclusão de que não podemos continuar trabalhando (com a Rússia)" como vínhamos fazendo até então, disse o secretário-geral da Aliança, Jaap de Hoop Scheffer em comunicado divulgado depois da reunião ministerial dos 26 países que formam a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Bruxelas.

A relação dos países membros da Otan com a Rússia vai mudar, insiste a nota.

Não podemos continuar com as relações normais. Pedimos que a Rússia demonstre em palavras e ações o compromisso com os princípios que regem a base de nossa relação, diz o texto.

A Otan também voltou a pedir a retirada imediata das tropas russas do território georgiano, acusando Moscou de estar ocupando militarmente uma nação soberana.

Em uma entrevista à imprensa depois da reunião, o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, disse que um encontro do Conselho Rússia-Otan não era possível no momento, mas que o diálogo não seria abandonado.

Os ministros presentes à reunião reafirmaram o apoio à Geórgia e anunciaram a criação de uma comissão Otan-Geórgia para fortalecer as relações entre a aliança e Tbilisi

E advertiram na declaração comum que a Otan não pode "continuar agindo como se suas relações com Moscou de nada valessem".

Pediram à Rússia que demonstre, "tanto em palavras como em atos, seu compromisso em favor dos princípios sobre os quais fundamos nossa relação".

"Agora é hora de a Rússia agir, e não da Otan. A Rússia deve retornar às posições ocupadas em 6 de agosto", antes da ofensiva georgiana para retomar o controle de seu território separatista na Ossétia do Sul, declarou Hoop Scheffer.

"O futuro de nossas relações com a Rússia dependerá de ações concretas a serem adotadas pelo presidente Dmitri Medvedev (...), o que não é o caso por enquanto", advertiu.

Entretanto, a Otan, que reúne países de uma linha dura em relação a Moscou (EUA, Polônia, países bálticos) e outros (França, Alemanha, Itália) favoráveis a uma parceria com a Rússia, adotou poucas medidas práticas para demonstrar seu descontentamento com Moscou.

A principal parece ser a suspensão das reuniões do Conselho Otan-Rússia.

"Nas circunstâncias atuais, não podemos organizar uma reunião Otan-Rússia", indicou Hoop Scheffer.

Mas o Conselho Otan-Rússia, criado em 2002, não está cancelado.

"Eles devem voltar às posições de 6 de agosto e, em seguida, estaremos abertos a tudo, não fechamos a porta às discussões com a Rússia", destacou o secretário-geral.

"Os EUA não querem isolar a Rússia", afirmou por sua vez Condolezza Rice após a reunião.

Para provar seu apoio à Geórgia, os 26 países anunciaram a criação de uma comissão Otan-Geórgia, encarregada de supervisionar todas as atividades de cooperação entre o país e a Aliança. Eles devem trabalhar pela integração desta ex-república soviética à Otan, como foi prometido a Tbilisi em abril passado.

Para Rice, a Otan mostrou claramente nesta terça-feira que não permitirá que seja traçada uma nova linha na Europa, "entre os que tiveram a chance de fazer parte das estruturas transatlânticas e os que ainda querem fazer parte delas".

Mas nenhuma decisão foi tomada para acelerar o processo de adesão da Geórgia à Otan.

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