Milhares de fragmentos de ossos humanos calcinados foram descobertos em um campo de detenção da ditadura militar argentina (1976/83), em La Plata (50 km ao sul de Buenos Aires), onde também foi encontrado um paredão de fuzilamento, revelou na segunda-feira uma fonte oficial.

"Especialistas da Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF) acharam mais de 10.000 fargmentos de ossos humanos carbonizados no local onde funcionou o centro de torturas e extermínio conhecido como Poço da Aranha", disse Sara Derotier de Cobacho, secretária de Direitos Humanos da província de Buenos Aires.

A EAAF também encontrou um paredão que parece ter sido usado para fuzilar os prisioneiros, pois há nele mais de 200 marcas de tiros, extraídas para pesquisas posteriores, indicou Cobacho em uma entrevista coletiva.

"É a primeira vez que são encontradas sepulturas em um centro clandestino de detenção no país", destacou, acrescentando que várias fossas foram descobertas no local, escavadas em diferentes níveis e cada qual separada da outra por uma parede de ladrilhos.

Cobacho informou ainda que 38 das amostras ósseas recolhidas foram enviadas ao grupo de especialistas americanos que trabalhou na identificação dos restos mortais calcinados das vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Segundo a secretária, a intenção de sua equipe é transformar o local em um Museu da Memória, "porque lá estão as cinzas dos militantes populares que passaram por este local durante o regime militar".

A descoberta confirma vários depoimentos de sobreviventes da ditadura, que afirmavam que os prisioneiros mortos durante as sessões de tortura no Poço da Aranha eram queimados com pneus e combustível e enterrados no local.

Foi justamente com base nesses depoimentos que o promotor Félix Crous ordenou a realização de escavações no centro de detenção, há um ano.

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