Ossos achados em fossa comum na RDC não são humanos, diz procurador

Kinshasa, 3 dez (EFE) - Os mais de dois mil ossos encontrados no final de novembro em uma vala comum em uma residência do bairro Pajeco de Bukavu, capital da província de Kivu Sul, leste do país, não são humanos, confirmou hoje o procurador-geral da cidade, Jacques Meli Meli.

EFE |

Os ossos, compostos em sua maioria por tíbias, fêmures e fíbulas e que foram descobertos em 23 de novembro em uma fossa de três metros de comprimento por dois de profundidade, são restos de animais, concluíram ortopedistas do hospital geral de Bukavu e do serviço veterinário da cidade, citados por Meli Meli.

Segundo os especialistas, as características dos ossos em questão são próprias de bovinos e as omoplatas resgatadas do local são exageradamente maiores que as dos humanos, destacou o funcionário judicial.

"Os estudos apontam para que não se trata de (ossos de) a espécie humana", acrescentou Meli Meli em declarações à "Radio Okapi", emissora patrocinada pelas Nações Unidas.

O procurador-geral confirmou que, após estudar os antecedentes históricos da região, ficou comprovado que, na época colonial, funcionava no lugar uma fábrica de embutidos de um belga chamado Christian Sen, o que explicaria a grande quantidade de ossos encontrada.

Ao informar na semana passada sobre a descoberta do ossário, a imprensa estatal vinculou-o às atividades de um antigo grupo rebelde durante a guerra de 1998 a 2003 no leste da República Democrática do Congo (RDC).

Os restos foram encontrados na antiga casa de um ex-assessor político de Azarias Ruberwa, líder do Agrupamento Congolês para a Democracia (ACD), grupo rebelde que ocupou a cidade de Bukavu na rebelião que terminou em 2003 e se transformou em partido político ao fim do conflito.

A rádio e televisão nacional congolesa ("Rtnc") afirmou que a fossa tinha sido escavada durante a ocupação de Bukavu pela ACD, em 2002, e que a propriedade era utilizada nessa época pelo antigo movimento rebelde como lugar de execução de seus rivais. EFE jm/db

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