O território separatista da Ossétia do Sul decretou mobilização geral em resposta a disparos de tiros provenientes da Geórgia, e considerados ato de agressão pela Rússia.

As forças georgianas "só abriram fogo em resposta" a disparos de rebeldes ossétios contra povos georgianos, declarou à AFP em Tiblisi o porta-voz do Ministério do Interior, Shota Utiashvili.

A Rússia acusou a Geórgia de ter cometido um ato de agressão, em um comunicado do ministério das Relações Exteriores, cujo titular, Serguei Lavrov, em visita ao Turcomenistão, pediu ao governo de Tiblisi que assinasse um "documento juridicamente vinculante, que garanta o não uso da força nas zonas de conflito entre a Geórgia e Abkházia e entre a Geórgia e a Ossétia do Sul.

Irina Gagloyeva, porta-voz do governo da Ossétia do Sul, confirmou à AFP que quinta-feira as forças georgianas atacaram o território por três frentes, com morteiros, lança-granadas e armas leves.

"Foi decretada a mobilização geral", disse.

Segundo ela, a Geórgia concentrou tanques na fronteira nos últimos dias.

Duas pessoas morreram e dez foram feridas nestes atos violentos na Ossétia do Sul, segundo novo balanço. O dado anterior era de três mortos, mas foi revisto para baixo.

Os disparos georgianos começaram às 23H00 de quinta-feira (hora local) e vararam a madrugada de sexta-feira. Depois de uma pausa de três horas, foram retomados, às 05H00.

A situação se normalizou durante o dia e está "completamente sob controle", anunciou o representante russo nesta região, Dmitri Medoyev, que convenceu a Geórgia a voltar à mesa de negociações com a Ossétia do Sul.

As autoridades locais consideram que Tiblisi está se preparando para retomar o controle desta zona montanhosa do norte da Geórgia, que proclamou unilateralmente sua independência no início dos anos 90, após o colapso da União Soviética, assim como fez Abkházia.

A tensão foi aumentando nas duas regiões rebeldes desde que a Rússia decidiu em abril reforçar seus vínculos. A Geórgia acusa a Rússia de querer anexá-las. Além disso, há o fato de que a Geórgia quer adesão à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, o que incomoda os russos.

Sexta-feira, a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), o secretário-geral do Conselho da Europa, Terry Davis, e França manifestaram preocupação com o ocorrido.

A situação havia piorado na quiinta-feira com a morte de um policial de Ossétia do Sul em um atentado.

Tiblisi negou envolvimento nos fatos e acusou as forças de segurança ossétias de terem tentado assinar um responsável pró-georgiano na região independentista.

Além disso, um policial morreu quinta-feira por disparos perto da capital ossétia.

A tensão é grande na Abkhásia, que fechou terça-feira sua fronteira com a Geórgia por vários atentados de autoria atribuída aos georgianos.

Os governantes deste território, à margem do Mar Negro que se autoproclamou independente no início da década de 1990, advertiram que apoiariam a Ossétia do Sul.

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