Ossétia do Sul e Abkházia pedem reconhecimento ao mundo

Duas regiões separatistas georgianas pediram à comunidade internacional, nesta quinta-feira, o reconhecimento de sua independência, amparadas pelas tropas russas.

AFP |

As duas regiões separatistas, Ossétia do Sul e Abkházia, dirigiram seus pedidos, em primeiro lugar, a seu grande aliado russo.

"Nós merecemos viver em uma república livre", afirmou o presidente da Ossétia do Sul, Eduard Kokoity, que deu "graças ao Estado russo" por ter rejeitado a tentativa georgiana de recuperar o controle sobre esse território.

"Nós nos dirigimos ao presidente (Dimitri) Medvedev" e ao Parlamento russo "para que reconheçam nossa independência", declarou uma autoridade abkházia, ao ler um manifesto aprovado por milhares de pessoas reunidas em uma praça de sua capital, Sukhumi.

Os sul-ossetas também pediram o reconhecimento das ex-repúblicas soviéticas que fazem parte da Comunidade de Estados Independentes (todas, menos as três bálticas).

Já o governo georgiano considera que, se a Rússia outorgar esse reconhecimento, será "um ato colonialista", disse à AFP o secretário do Conselho georgiano de Segurança, Alexandre Lomaia.

O chanceler russo, Serguei Lavrov, evitou antecipar uma resposta nesse sentido, declarando que a decisão de Moscou dependerá, em grande medida, do que o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, fizer.

"Saakashvili tem uma grande responsabilidade sobre a maneira como se desenrolam os acontecimentos", respondeu Lavrov, ao ser questionado por um jornalista sobre se Moscou está disposta a reconhecer a independência das duas regiões separatistas pró-Rússia.

O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, cujo país exerce a presidência rotativa da União Européia (UE), chamou de "sinais animadores", mas ainda "insuficientes", os movimentos de retirada das tropas russas, observados nas últimas horas na Geórgia.

Enquanto isso, sobre o terreno, o Exército russo continuava, nesta quinta, presente na Ossétia do Sul, assim como em uma ampla zona ao redor desse território, já em solo georgiano.

Militares e blindados russos eram visíveis na estrada que parte de Tbilisi, a capital georgiana, para Gori, 60 km ao noroeste, impedindo a passagem para essa cidade estratégica, comprovou um jornalista da AFP.

De Washington, um porta-voz do Pentágono declarou hoje que os Estados Unidos notaram "movimentos mínimos" de tropas russas saindo da Geórgia, sem constatar uma retirada "significativa".

Também nesta quinta, em Tbilisi, o presidente da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), Alexander Stubb, garantiu que a missão de 20 observadores militares estará preparada, na próxima segunda, para vigiar o cessar-fogo entre Geórgia e Rússia.

Na segunda, "teremos nosso pessoal na Geórgia, teremos preparado nosso centro operacional e poderemos enviar nossos observadores às zonas adjacentes à Ossétia do Sul", anunciou Stubb, ministro das Relações Exteriores da Finlândia, país que preside a OSCE atualmente.

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