Os panamenhos elegem neste domingo seu novo presidente com ânsias de mudança

Os panamenhos elegem neste domingo seu presidente para os próximos cinco anos, divididos entre a direita, representada pelo empresário multimilionário Ricardo Martinelli, e a esquerda oficialista de Balbina Herrera.

AFP |

Cerca de 2,2 milhõe de panamenhos estão inscritos e poderão eleger em turno único o novo presidente, assim como 71 deputados do Congresso e 20 membros do Parlamento Centro-americano, além de 75 prefeitos e outros 630 representantes locais.

Apesar da economia ir de vento em popa com o governo de Martín Torrijos, filho do emblemático general Omar Torrijos, os panamenhos parecem dispostos à mudança, como indicam as pesquisas que apontam Martinelli como favorito em sua segunda tentativa de chegar ao Palácio das Graças, a sede da presidência.

Este multimilionário de 57 anos, proprietário da principal cadeia de supermercados do país, não economizou em sua campanha, muito mais vibrante que a de Herrera.

Martinelli, da Aliança pela Mudança - uma coalizão de três partidos de direita - tem uma vantagem de 11 a 16 pontos sobre Herrera, do Partido Revolucionário Democrático (PRD, social-democrata, no poder).

A campanha de Herrera, ex-ministra da Habitação, de 54 anos, também se vê prejudicada pelas declarações do colombiano David Murcia, preso em seu país por fraudar milhares de compatriotas com um 'esquema de pirâmide', e que assegura que entrou três milhões de dólares a ela, e outros trantos ao candidato da prefeitura da Cidade do Panamá, do PRD, como Herrera.

Independente de quem assumir a presidência a partir de 1o. de julho, não parece que vá ocorrer uma mudança de rumo na economia do país, uma das mais globalizadas do continente, junto com a chilena, e uma das mais bem sucedidas, com um crescimento médio nos últimos três anos de 9,7%.

As obras de ampliação do Canal do Panamá - uma 'galinha dos ovos de ouro', pelo qual transita 5% do comércio mundial -, iniciadas em 2007 por um total de 5,25 bilhões de dólares, o 'boom' da construção (que em 2008 cresceu 30,5%, sendo 90% só na capital), o transporte, armazenamento e comunicações - setor que representou 21% do PIB no ano passado-, os serviços marítimos e o turismo - última aposta do governo de Torrijos - , têm sido os motores do êxito do dragão centro-americano.

"Nenhum dos dois candidatos colocará em perigo o sistema", afirma Arístides Hernández, presidente da agência Latin Consulting.

Mas alguns dos problemas mais urgentes que o vencedor das eleições deverá atacar são a insegurança - a principal preocupação dos panamenhos -, e a distribuição de rede - que é a pior da América Latina -, uma vez que o Panamá tem 28% da população vivend na pobreza, em sua maioria indígenas.

af/cn

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