Os históricos estaleiros poloneses estão com o futuro ameaçado

Os estaleiros poloneses do Báltico, reduto do operariado que deu origem ao primeiro sindicato livre do bloco soviético, Solidarnosc, o Solidariedade, estão com o futuro incerto devido a dificuldades econômicas e planos de reestruturação atrasados.

AFP |

Os estaleiros de Szczecin (noroeste) e de Gdynia (norte) estão aguardando para ser privatizados. O estaleiro de Gdansk, onde Lech Walesa assinou em 31 de agosto de 1980 os famosos acordos com o poder comunista da época, foi recomprado ano passado pelo grupo ucraniano Donbass, mas ainda está esperando sua reestruturação.

Varsóvia recebeu nesta quarta-feira de Bruxelas um último prazo até 12 de setembro para submeter à Comissão Européia um programa preciso e adequado de salvamento destes estaleiros, sob pena de ser obrigada a recuperar as ajudas públicas de 2,1 bilhões de euros, versadas aos três estabelecimentos desde 2002.

Cerca de 60.000 pessoas trabalham nestes três estaleiros e nas empresas que cooperam com eles.

No entanto, os históricos estaleiros de Gdansk são hoje apenas a sombra do que foram. Eles empregam aproximadamente 3.200 assalariados, contra 17.000 em 1980 quando tinham ainda o nome de Vladimir Ilitch Lénine e representavam o carro-chefe da indústria comunista.

Seu terreno de 159 hectares foi reduzido a 72 hectares e eles constroem hoje cinco navios por ano, contra 30 nos anos 1980.

O declínio destes estaleiros começou no fim da década de 80, o último governo comunista que sugeriu seu fechamento por falta de rentabilidade. A iniciativa foi considerada, na época, uma vingança de um regime sufocado.

No início de 1990, o berço do sindicato de Lech Walesa não conseguiu se adaptar às condições da economia de mercado. A falência foi finalmente declarada em 1996.

Dois anos mais tarde, o estabelecimento de Gdansk foi comprado pelos estaleiros vizinhos de Gdynia.

Em 2004, aa empresa de Gdynia enfrentou dificuldades econômicas e os dois estabelecimentos se separam em 2006. O estaleiro de Gdynia foi resgatado pelo Tesouro, que se tornou majoritário em seu capital.

O mesmo destino teve o estaleiro de Szczecin, que teve seu auge no início dos anos 90 com capitais privados, mas sofreu com os erros de gestão.

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