Os EUA terão 1º procurador-geral de Justiça negro, Eric Holder

Negro, apaixonado pelo serviço público, um veterano da Administração Clinton: Eric Holder, de 57 anos, anunciado como o próximo procurador-geral de Justiça dos EUA por Barack Obama (cargo que corresponde no Brasil ao de Ministro da Justiça), passou sua carreira tentando ultrapassar a barreira racial no elitista mundo do Direito americano.

AFP |


Ao revelar sua escolha, o presidente eleito Obama elogiou Holder por ser duro e independente. "Deixe-me ser claro. O procurador-geral serve ao povo americano", frisou, acrescentando que suas expectativas são que Eric Holder irá proteger "nosso povo", manter a confiança da opinião pública e respeitar a Constituição.

Após os escândalos no governo George W. Bush, Holder fez questão de destacar que seu objetivo é revitalizar o Departamento de Justiça, cuja única responsabilidade é "manter nosso povo seguro e garantir a eqüidade e proteger nosso meio ambiente".

Nascido no Bronx, em Nova York, de pais originários da caribenha ilha de Barbados, Eric Holder estudou Direito na Universidade de Columbia (Nova York). Estreou sua trajetória profissional como procurador, cargo que exerceu de 1976 a 1988, encarregado de lutar contra a corrupção no setor público. Depois, foi nomeado pelo então presidente Ronald Reagan juiz-adjunto de uma corte local de Washington.

Em 1993, Bill Clinton o nomeou procurador-geral para a cidade de Washington, um posto de muita visibilidade, no qual ele se dedicou, sobretudo, à redução da violência doméstica.

Suas campanhas contra a corrupção são menos visíveis, ainda que o prefeito de Washington, o truculento Marion Barry, pego pelo FBI por posse e consumo de crack em um quarto de hotel, em 1990, tenha conseguido se reeleger em 1994.

Em 1997, Bill Clinton nomeou Eric Holder número dois de seu Departamento de Justiça, adjunto de Janet Reno, então secretária da pasta.

Na época, ao ser sabatinado no Congresso para a confirmação de sua nomeação, ele expôs sua posição sobre a pena de morte: mesmo não sendo partidário da pena capital, ele a aplicaria. "Não sou defensor da pena de morte, mas eu aplicarei a lei que o Congresso determinar".

Eric Holder foi um pioneiro em quase todos os postos de sua carreira, sendo o primeiro negro a ocupá-los. O feito se repete, com sua indicação para ocupar o cargo de secretário de Justiça. Segundo a imprensa americana, entre os nomes também cotados para a função estavam os de Al Gore e John Kerry.

Existe, porém, uma mácula em sua trajetória. Quando era adjunto no Departamento de Justiça, no final do segundo mandato de Bill Clinton, ele participou da graça presidencial acordada a Marc Rich. Esse rico corretor internacional e generoso doador do Partido Democrata era acusado de evasão fiscal e de fazer comércio com o Irã. Seu indulto no último dia do governo Clinton e sua fuga para a Suíça foram um escândalo.

Após 20 anos no serviço público, Eric Holder trabalha na iniciativa privada desde 2001 e, hoje, é um dos prestigiados advogados do escritório nova-iorquino Covington and Burling. Defendeu, principalmente, o gigante das bananas Chiquita Brands International, empresa acusada de ter apoiado a milícia de extrema-direita Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).

Casado, pai de três filhos, Eric Holder vive em Washington com sua mulher, Sharon, que é obstetra.

Em entrevista recente à revista "American Lawyer", Holder comentou sua aproximação com Obama, que aconteceu apenas em 2004.

"A lealdade é algo que conta bastante para mim. Minha decisão de apoiar Barack não é nem um pouco difícil, mas era preciso que ele me sensibilizasse. Minha inclinação era mais pela senadora (Hillary) Clinton, mas fui levado por Barack", declarou.

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