Os candidatos a primeiro-ministro de Israel (Perfis)

A seguir um breve perfil dos candidatos ao cargo de primeiro-ministro disputado nas eleições legislativas desta terça-feira em Israel.

AFP |

Tzipi Livni sonha seguir os passos de Golda Meir

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Conhecida por sua integridade, mas acusada de não ter perfil de líder e experiência política, Tzipi Livni, do partido centrista Kadima, no poder, cultiva uma imagem de política radical para convencer um eleitorado que tende para a direita.

Ministra israelense das Relações Exteriores, assumiu a liderança do Kadima em setembro passado e é hoje a política mais poderosa do país, com a têmpera de Golda Meir, a "dama de ferro" israelense que comandou o Estado judeu de 1969 a 1974 e que foi chanceler, como ela.

Em maio passado, Livni, de 49 anos, pediu a realização de primárias no Kadima, tendo em vista eleições antecipadas, e com a esperança de suceder ao premier Olmert, que anunciou sua saída após o envolvimento em escândalos de corrupção.

Ao contrário de Olmert, Tzipi Livni nunca teve problemas com a Justiça e já declarou sua intenção de restaurar "a confiança" dos israelenses.

Advogada, de aparência sempre impecável e catapultada para o topo de seu partido por Ariel Sharon, fundador do Kadima, suscita desconfiança em sua formação.

As divergências entre Livni e Olmert ficaram claras em 2007, quando ela se declarou a favor da renúncia do premier, após a divulgação de um relatório sobre os erros cometidos por Israel na guerra de 2006, no Líbano.

Antes partidária de um Grande Israel que inclua os territórios palestinos, Livni se rendeu à evidência de que a única maneira de Israel preservar seu caráter judaico e democrático é renunciar pelo menos a uma parte dos territórios ocupados desde 1967.

Nascida em uma família da direita ultranacionalista, isso não a impediu de estar entre os fundadores do Kadima. Após o derrame cerebral de Sharon, em janeiro de 2006, ela se juntou a Olmert, que a designou como chefe da diplomacia.

Ela já trabalhou para o Mossad (1980-84) como especialista em Direito Comercial e teve uma carreira política meteórica desde sua entrada no Knesset.

Benjamin Netanyahu, o retorno do "ilusionista"

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O ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, um 'falcão' convicto, mas com uma atitude pragmática e ultraliberal em termos de economia, encarna a esperança da direita israelense de voltar ao poder em Israel.

Considerado por muitos um 'ilusionista', especialista em mídia, ele espera colher os frutos de um trabalho realizado para apagar o fracasso das últimas legislativas de março de 2006.

Acusado por suas tropas de ser responsável desta derrota, a pior registrada por seu partido, ele terminou de curar as feridas da cisão iniciada por Ariel Sharon, em novembro de 2005, para fundar o partido centrista Kadima.

Esperando tranquilamente sua hora, ele explorou as repercussões da última guerra do Líbano (julho 2006) e uma série de escândalos político-financeiros que minaram Ehud Olmert antes de ele cair.

Ele, que foi em 1996 o mais jovem primeiro-ministro de seu país e o primeiro chefe de governo nascido após a criação de Israel em 1948 espera assim constituir uma maioria parlamentar a partir das 12 cadeiras de seu partido, nas 120 cadeiras do Knesset.

Criticado por sua política econômica quando estava no poder, é sobre o tema palestino que ele aparece em melhor posição nas pesquisas de opinião.

Consciente de que a maioria dos israelenses rejeita concessões territoriais, "Bibi" deseja submeter a um referendo qualquer retirada da Cisjordânia.

Ele recusa além disso uma divisão de Jerusalém, propõe uma política econômica ultraliberal e rejeita concessões em favor dos palestinos que poderiam segundo ele colocar em perigo a segurança de Israel.

Ferrenho opositor dos acordos entre israelenses e palestinos de Oslo (1993), ele foi no entanto obrigado a ceder às pressões americanas, concluindo dois acordos com Yasser Arafat quando era primeiro-ministro.

Seu fracasso eleito de 1999 frente a Ehud Barak foi seguido por problemas com a justiça, para ele e sua esposa Sarah, um ex-aeromoça. A justiça se recusou a culpá-lo num caso de corrupção por falta de prova.

Puro produto da elite ashkenaze, que fundou Israel, ele passou sua juventude nos Estados Unidos, por isso fala perfeitamente o inglês.

Muito bom em debates, ele fez carreira na diplomacia, antes de ser eleito no Parlamento em 1988. Sua ascensão foi meteórica, porque ele se tornou pouco depois vice-ministro dos Assuntos Estrangeiros e, em seguida, em 1992, chefe do Likud e líder da oposição.

Ehud Barak, um militar respeito, mas um político questionável

O trabalhista Ehud Barak tem reputação de excelente estrategista e soldado de coragem, mas talvez não consiga convencer os isralenses a lhe dar uma segunda oportunidade no cargo de premier.

A ofensiva em Gaza contra o movimento palestino radical, que conduziu como ministro da Defesa, apagou momentaneamente a decepção de seu breve mandato (1999-2001) como chefe de Governo.

Mas o fracasso da cúpula de Camp David, em julho de 2000 - com o líder palestino Yasser Arafat e o presidente americano Bill Clinton - acabou marcando a imagem desse homem de aparência jovem apesar de seus 66 anos.

Dois meses depois explodiu a segunda intifatada e, com ela, uma onda de onda de atentados suicidas nas maiores cidades do país. Uma mancha para Barak, que se apresentava como o "senhor segurança", o herdeiro de Isaac Rabin e o soldado mais condecorado do país.

Nove anos depois, Barak aparece de novo em Israel como um eficiente profissional da guerra e, inclusive, conseguiu apagar a atuação de seu predecessor na Defea, Amir Peretz, também trabalhista e muito criticado pela guerra no Líbano em 2006.

Desde a ofensiva israelense na Faixa de Gaza, Barak utiliza como argumento o severo golpe aplicado ao Hamas para defender sua candidatura.

No entanto, a imprensa israelense já o designou como próximo ministro da Defesa de um governo de união nacional dirigido por Netanyahu.

Derrotado nas urnas em fevereiro de 2001, Barak passou para o comércio internacional, enriquecendo rapidamente e se divorciando de sua esposa de mais de 20 anos para se casar com um amor da juventude, que, segundo seus amigos, o "tornou mais humano", ou seja, mais aberto e menos autoritário.

Nascido nem um kibutz (colônia agrícola), diplomado em física, matemática e sistemas analíticos, Barak é um típico produto da classe dirigente israelense.

Ex-chefe do "comando do Estado-Maior", a elite das unidades de elite do exército, entrou na política em 1995 e também ocupou os cargos de ministro do Interior e das Relações Exteriores.

Fez parte dos 'falcões' e, em 1995, se absteve de aprovar o Acordo de Oslo 2, que estendia a autonomia palestina na Cisjordânia.

Seu grnade êxito, já como primeiro-ministro, foi tirar o exército do atoleiro militar libanês em maio de 2000.

Lieberman, um ultranacionalista contra os árabes israelenses

O ultanacionalista Avigdor Lieberman, cujo partido, Israel Beiteinu, vai de vento em popa nas pesquisas, criou uma reputação de radical, dispuesto a expulsar os árabes israelenses que não jurarem lealdade ao Estado hebreu.

Considerado "fascista" e "perigoso" por seus detratores, promete acabar com os islamitas do Hamas na Faixa de Gaza.

Ele conta com o apoio da opinião pública, que deu uma guinada para a direita e já não confia nos grandes partidos para solucionar os problemas do país.

Em poucas semanas, este homem de 50 anos, nascido na Moldávia, atraiu uma parte do eleitorado do Likud, de Netanyahu.

O principal alvo de seus ataques são os árabes israelenses, descendentes dos palestinos que ficaram em Israel depois da criação do Estado em 1948, e que hoje representam 20% da população. Em função disso, entrou em guerra contra vários deputados árabes, que expressaram sua solidariedade com os palestinos durante a ofensiva em Gaza.

Lieberman, que é laico, não defende a idéia da "Grande Israel", apesar de viver numa colônia perto de Belém, e, inclusive, propôs uma retiraada israelense dos bairros palestinos de Jerusalém Leste em caso de um acordo de paz para marcar uma seperação máxima entre árabes e judeus.

Diplomado em Ciênciais Sociais pela Universidade Hebraica de Jerusalém, Avigdor Lieberman chegou a Israel aos 20 anos. Membro do Likud durante muito tempo, foi assessor próximo de Netanyahu, que o nomeou chefe de seu gabinete entre 1996 e 1999.

Desde sua criação em 1999, seu partido não para de ascender nas pesquisas devido ao apoio de várias gerações de israelenses.

Ele é alvo de uma investigação por corrupção.

afp/cn

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