Os canadenses exigem a repatriação do jovem preso de Guantánamo

O vídeo do interrogatório dos serviços secretos canadenses com Omar Khadr, a criança-soldado que é o mais jovem preso do campo de Guantánamo (Cuba), levou a opinião pública canadense a exigir do primeiro-ministro Stephen Harper que reclame sua repatriação aos Estados Unidos.

AFP |

"Tragam-no para casa, sr. Harper!", pede o jornal The Gazette nesta quarta-feira, indignado com o fato de que as autoridades nunca pediram aos Estados Unidos para devolver Omar Khadr, preso - sem processo judicial - em Guantánamo há seis anos.

"O caso Khadr revela uma abordagem em termos de direitos da pessoa e de respeito de nossa obrigações internacionais que cede a uma lógica defensiva e, principalmente, à expressão de uma comunhão de pensamento com o governo de George W. Bush", critica, por sua vez, o jornal Le Devoir.

Omar Khadr tinha apenas 15 anos quando foi preso em julho de 2002 no Afeganistão. Os Estados Unidos - que invadiram esse país no final de 2001 - afirma que ele jogou uma granada que matou um soldado maericano.

Durante muito tempo a opinião pública canadense foi hostil em relação à família Khadr ou indiferente à sorte do adolescente.

Seu pai, Ahmed Said Khadr, que emigrou do Egito para o Canadá no final dos anos 70, é considerado pela inteligência um lugar-tenente da Al-Qaeda e ligado diretamente a Osama bin Laden.

No fim dos anos 80, mudou com toda sua família para o Afeganistão e Paquistão, onde em outubro de 2003 morreu em enfrentamentos com forças paquistanesas.

Quatro de seus filhos, incluindo Omar, teriam sido treinados nos campos da Al-Qaeda. Um dos irmãos de Khadr, Abdurahman, foi levado para a Guantánamo em 2003 e depois libertado. Tempos depois disse ter servido de colaborador da CIA dentro da prisão.

Na véspera, os advogados de Khadr divulgaram um vídeo do interrogatório onde ele aparece chorando copiosamente e perdendo a razão diante de agentes de inteligência do Canadá.

Khadr é visto sendo interrogado por agentes do Serviço de Inteligência de Segurança de seu país em fevereiro de 2003 na base naval norte-americana de Guantánamo (Cuba).

O vídeo tem 7,5 horas de um interrogatório de três dias. Nas imagens, que parecem ter sido captadas em um ducto de ventilação, são feitas perguntas a Khadr sobre o que sabe a respeito da Al-Qaeda e sobre sua fé muçulmana. Às vezes chora e puxa os cabelos de desespero, informou o jornal Globe and Mail em seu site.

Também mostra seus ferimentos aos interrogadores. Um deles responde dizendo que está recebendo um bom tratamento médico e que deve cooperar.

O vídeo de dez minutos não revela se o detento sofreu agressões ou outros abusos físicos na prisão.

A divulgação do vídeo ocorreu depois que documentos do governo mostraram que Khadr foi privado de sono antes de ser interrogado para que admitisse seus crimes mais facilmente, informou a imprensa canadense.

Khadr era levado para uma cela diferente a cada três horas para que ficasse mais suscetível a falar em uma tática que as autoridades norte-americanas descreveram como "programa do viajante freqüente".

A defesa e juristas internacionais insistiram várias vezes para que Omar Khadr fosse tratado como uma criança-soldado.

Organizações de defesa dos direitos humanos, como a Anistia Internacional, pediram em vão para que o primeiro-ministro canadense exigisse dos Estados Unidos a extradição de Khadr, uma rejeição que, segundo a imprensa canadense, agora será mais difícil de ser justificada.

Por outro lado, em uma declaração ao National Post, o sargento reformado Layne Morris, que prendeu Khadr, afirmou que 'ele ganhou sua estada no campo de detenção'.

"Omar não é um menino que simplesmente foi tirado da rua, indiciado por erro e julgado injustamente", afirmou

"Acho que ele está justamente onde deve estar", enfatizou.

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