Os arquivos secretos do Vaticano sobre o controvertido pontificado de Pio XII (1939-1958) serão abertos apenas em seis ou sete anos, declarou nesta quinta-feira o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano.

A abertura dos arquivos sobre Pio XII, acusado por alguns historiadores de ter mantido silêncio o Holocausto de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, foi solicitada em várias ocasiões por estudiosos e expoentes da comunidade judaica.

O trabalho de catalogação e organização da documentação referente a esse pontificado levará muito tempo, pois contém 16 milhões de documentos, informou Lombardi.

Os arquivos do Vaticano são acessíveis aos pesquisadores até 10 de fevereiro de 1939, último dia do pontificado de Pio XI (1922-1939).

Segundo fontes do Vaticano, o Papa Bento XVI não assinou ainda o decreto sobre as virtudes heróicas do Papa Pio XII, um passo indispensável para beatificação porque quer manter boas relações com os judeus.

Há alguns dias Bento XVI defendeu Pio XII em uma missa pelo 50º aniversário de sua morte, e expressou o desejo de que seja beatificado e disse que o legado de seu papado é objeto de um debate "nem sempre sereno".

Em 7 de outubro, o rabino israelense Shear Yshuv Cohen, o primeiro a intervir num sínodo de bispos, disse que Pio XII não merece a beatificação porque "não há como tomá-lo como modelo, uma vez que não ergueu sua voz contra a Shoah", o assassinato de milhões de judeus pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial.

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