Ortega, Chávez, Zelaya e Lugo comemoram a revolução sandinista na Nicarágua

Os presidentes da Nicarágua, Daniel Ortega; da Venezuela, Hugo Chávez; de Honduras, Manuel Zelaya e o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, abriram neste sábado as comemorações do 29º aniversário da revolução sandinista.

AFP |

Ortega e os chefes de Estado convidados subiram à tribuna, na praça "La Fe" de Manágua para saudar centenas de milhares de simpatizantes da governante Frente Sandinista.

Entre os convidados destacava-se Margot Honnecker, viúva do ex-governante da extinta Alemanha comunista, Eric Honnecker.

A revolução sandinista do dia 19 de julho de 1979 acabou, na realidade, com 45 anos de ditadura na Nicarágua, mas o dogmatismo e seus líderes e a guerra contra o movimento travada pelos Estados Unidos tornaram o sonho efêmero.

Milhares de jovens guerrilheiros chegaram a Manágua em 19 de julho, apoiados por centenas de milhares de nicaragüenses que sonhavam com democracia, igualdade e justiça social, depois de anos de ditadura da família Somoza. A revolução sandinista, que recebeu um forte apoio no mundo inteiro, prometia ajudar os mais pobres, dando-lhes terra, trabalho, educação, moradia e saúde.

Neste contexto, se inscreviam a reforma agrária e urbana da propriedade, a cruzada pela alfabetização, e a diminuição da mortalidade infantil. Estas mudanças se baseavam principalmente no controle do Estado sobre as formas de produção.

No entanto, depois da vitória, os nove comandantes da Direção Nacional da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) definiram um projeto estatal e socialista. A aliança com os empresários foi quebrada, a revolução entrou em conflito com a Igreja Católica, além de expropriar camponeses e coletivizar terras, e teve de enfrentar os Estados Unidos. Assim, começou a contra-revolução.

"Foi um processo intenso e contraditório, por tocar nas fibras mais sensíveis da sociedade", afirmou um dia o ex-vice-presidente sandinista e escritor Sergio Ramirez. "O pior que fez a revolução foi ameaçar tomar a propriedade não somente dos grandes proprietários e fazendeiros, como também a de qualquer pessoa que possuísse algo. Foi este fato que dividiu o país ao ponto de atiçar a guerra civil", explicou Ramirez. "O que aconteceu foi uma guerra de camponeses, desatada pelo fator propriedade", sustentou o escritor.

A contra-revolução armada começou a surgir em 1981, alimentada por centenas de camponeses. O governo respondeu formando um enorme exército com maiores de 16 anos. A administração do então presidente americano Ronald Reagan não tolerou o alinhamento dos sandinistas nas posições de Cuba, e incentivou, financiou e armou a contra-revolução para derrotar o governo liderado por Daniel Ortega.

A economia começou a entrar em colapso, e a guerra civil a dizimar a juventude do país. Todos estes fatores levaram à derrota eleitoral da revolução, em 1990.

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