Ortega assume seu segundo mandato consecutivo na Nicarágua

Cerimônia de posse na terça à noite contou com a presença dos aliados Mahmud Ahmadinejad, do Irã, e Hugo Chávez, da Venezuela

iG São Paulo |

O ex-guerrilheiro Daniel Ortega prestou juramento na terça-feira à noite pela terceira vez - a segunda consecutiva - como presidente da Nicarágua, em mandato que irá até 2017. A cerimônia contou com a presença de seus líderes aliados Mahmud Ahmadinejad, do Irã, e Hugo Chávez, da Venezuela , mas não com representantes da oposição, que denunciam fraudes em sua reeleição .

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AP
Os líderes da Nicarágua, Daniel Ortega (E), da Venezuela, Hugo Chávez (C), e do Irã, Mahmud Ahmadinejad, cumprimentam-se em Manágua durante posse de 2º mandato de Ortega
Aliados: Ahmadinejad e Chávez exaltam Ortega ao chegar à Nicarágua

Ortega prestou juramento diante de mais de 8 mil convidados em cerimônia celebrada na Praça da Revolução, no antigo centro de Manágua, diante do titular da Assembleia Nacional (Parlamento nicaraguense), o governista René Núñez. A posse ocorreu na presença de sete chefes de Estado ou de governo, além do príncipe Felipe, herdeiro da Coroa espanhola, e de membros de 30 delegações estrangeiras, bispos e os principais empresários nicaraguenses.

Antes de iniciar seu novo mandato, o líder sandinista cumprimentou com um efusivo aperto de mãos Ahmadinejad e Chávez, aliados seus e adversários dos EUA. Nuñez empossou Ortega diante de um Palácio Nacional coberto pelos retratos dos lendários guerrilheiros Augusto Sandino e Carlos Fonseca e ao som da canção "Nicarágua, Nicaragüita".

Ortega, que se apresenta atualmente como um político pragmático e moderado, muito diferente do jovem comandante guerrilheiro e marxista da década de 80, prometeu diante do titular do Congresso respeitar a Constituição, as leis, os direitos e a liberdade do povo. Essa mesma promessa fez o novo vice-presidente, Omar Halleslevens, antigo chefe do Exército da Nicarágua.

Em seu segundo mandato consecutivo, ele terá o desafio da pobreza ainda pendente, já que não pôde resolver o problema em cinco anos de crescimento econômico moderado na Nicarágua. Mantendo ao mesmo tempo um discurso socialista e excelentes relações com o Fundo Monetário Internacional, Ortega lidera um país cuja renda per capita chega a apenas US$ 1,2 mil anuais, o que o coloca no fim da fila no continente, à frente apenas do Haiti.

"Temos de seguir fazendo o mesmo que temos feito nesses cinco anos, mas melhor e mais, para seguir erradicando a pobreza", disse Ortega durante a posse.

Com 66 anos e com o respaldo de uma arrasadora maioria no Congresso (seu partido Frente Sandinista obteve 63 das 92 cadeiras no Parlamento nas eleições de novembro), Ortega iniciou assim um novo mandato na Nicarágua depois de ser reeleito nas eleições de 6 de novembro, em votação que é questionada por observadores internacionais e locais e não reconhecida pela oposição.

Ortega é o primeiro presidente reeleito na Nicarágua desde a Revolução Sandinista de 1979, que derrubou o ditador Anastasio Somoza, último membro da dinastia que governou o país por 42 anos. Ele assumiu o poder pela primeira vez em 1985, após coordenar a Junta de Governo de Reconstrução Nacional de 1979 a 1984 depois da queda de Somoza. Após perder as eleições de 1990, 1996 e 2001, foi eleito pela segunda vez nas eleições de 2006.

Em novembro, ele foi reeleito com 62,46% dos votos, segundo os resultados oficiais, o dobro de seu rival mais próximo, o octogenário e direitista empresário Fabio Gadea, que não reconheceu o resultado afirmando que ocorreram múltiplas irregularidades. A Constituição nicaraguense proíbe a reeleição consecutiva do presidente, mas os magistrados sandinistas da Suprema Corte de Justiça, sem a presença de magistrados opositores, declararam inaplicável o artigo da Carta Magna que o impedia.

Muito de sua vitória se deve a uma onda de popularidade impulsionada pelos programas para diminuir a pobreza, financiados com fundos de cooperação da Venezuela, de seu aliado Chávez.

*Com EFE, AFP e Reuters

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