Orquestra de Pequim vai tocar para o papa, aliviando tensões

Por Philip Pullella CIDADE DO VATICANO (Reuters) - A Orquestra Filarmônica da China vai se apresentar para o papa Bento 16 na semana que vem, em um gesto sem precedentes, considerado por fontes do Vaticano como um sinal de abertura nas frias relações entre o Vaticano e Pequim.

Reuters |

A rádio do Vaticano disse na terça-feira que o concerto vai acontecer no dia 7 de maio no auditório do Vaticano. A orquestra vai tocar o 'Réquiem' de Mozart junto com o Coro da Casa de Ópera de Xangai.

A rádio chamou o concerto, a ser feito durante a turnê européia da orquestra, de 'importante'. E acrescentou:

'Com a apresentação no Vaticano de uma ótima ópera clássica de música européia e inspiração religiosa, a música confirma seu papel como linguagem e como o melhor meio de diálogo entre pessoas e culturas'.

Bento 16 fez da melhora das relações com Pequim um grande objetivo de seu pontificado e lançou em junho uma carta aberta de 55 páginas, dizendo que procurava restaurar relações diplomáticas completas com Pequim, estremecidas dois anos depois que o Partido Comunista chegou ao poder, em 1949.

'Isto não poderia ter acontecido sem a aprovação do governo', disse uma fonte diplomática.

Os católicos na China se dividem entre os que pertencem a uma igreja apoiada pelo Estado e os que pertencem a uma igreja clandestina, cujos membros são leais ao Vaticano.

As relações entre Pequim e o Vaticano se complicaram várias vezes nos últimos anos, porque o Vaticano criticava a China por designar bispos sem a aprovação papal.

Bento 16 acusou a China de cometer 'graves violações à liberdade religiosa' em 2006.

No mês passado, o papa pediu um diálogo para acabar com o 'sofrimento' no Tibete, mas usou linguagem extremamente diplomática. Um autoridade do Vaticano disse a repórteres em outubro que o papa agendou um encontro com o Dalai Lama para 13 de dezembro.

Pequim respondeu, dizendo que o encontro iria 'magoar o povo chinês' e exigiu que o pontífice demonstrasse 'sinceridade na intenção de melhorar as relações'.

Neste mês, o Vaticano anunciou que o papa não tem planos de se encontrar com Dalai Lama durante sua visita a Roma, já que os dois já se encontraram no ano passado.

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