Por Jonathan Wright CAIRO (Reuters) - O Oriente Médio se juntou ao anseio por mudanças que levou Barack Obama à vitória nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, mas muitos prevêem que o democrata jogará um balde de água fria nas esperanças de quem deseja um novo começo para a política norte-americana na região.

"A região tem muitas expectativas. Esperamos que (Obama) ajude nos esforços para trazer uma paz justa e permanente", disse Hossam Zaki, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores egípcio.

Abdel Galil Mustafa, coordenador do movimento de protesto Kefaya, acrescentou: "Obama é uma boa escolha porque busca mudanças nas políticas norte-americanas que nos fizeram sofrer por várias décadas".

O renomado jornalista sírio Thabet Salem disse que o mundo árabe ficou contente com a vitória de Obama. "Não porque ele venceu, mas porque significa que o presidente George W. Bush, que é considerado um sanguessuga, e sua turma vão embora", afirmou.

As políticas do governo Bush tiveram um impacto direto e muitas vezes violento sobre o Oriente Médio, principalmente no Iraque, no Líbano e nos territórios palestinos, onde a oposição a Washington é generalizada.

Bush invadiu o Iraque em 2003, apesar da intensa oposição árabe, e prestou menos atenção ao conflito entre árabes e israelenses do que qualquer outro presidente norte-americano desde Ronald Reagan.

Bush também incluiu o Irã em seu "eixo do mal" e encorajou Israel na tentativa frustrada de massacrar o Hezbollah no Líbano em 2006. Muitos muçulmanos acreditam que sua "guerra contra o terror" seja uma desculpa para empreender uma cruzada contra o Islã.

Agora, Obama enfrenta o desafio de consertar as relações dos Estados Unidos com os árabes e os muçulmanos, além de convencer os norte-americanos de que pode evitar um ataque semelhante ao de 11 de setembro de 2001.

Gholamali Haddadadel, importante assessor do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, disse: "A eleição de Obama demonstra o fracasso das políticas norte-americanas ao redor do mundo. Os norte-americanos têm de mudar suas políticas para se salvar das complicações criadas por Bush".

Ali Aghamohammadi, outro assessor próximo a Khamenei, disse: "Não estamos totalmente otimistas, mas, com uma mudança real na política dos Estados Unidos, haverá a possibilidade de melhorar as relações entre os dois países. Mas é claro que o lobby sionista na América vai fazer tudo o que puder para evitar a melhora nas relações".

(Reportagem adicional de Alaa Shahine e Cynthia Johnston no Cairo e das redações da Reuters em Gaza, Beirute, Damasco, Teerã e Jerusalém)

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