Oriente Médio espera que Obama salve processo de paz das ruínas de Gaza

Israel e a Autoridade Palestina contam com o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que na terça-feira assume suas funções na Casa Branca, para ajudá-los a exumar o processo de paz das ruínas de Gaza.

AFP |

Como um fato simbólico, os israelenses, que tinham carta branca com seu antecessor George W. Bush, decidiram deter sua operação em Gaza 48 horas antes do juramento do 44º presidente dos Estados Unidos.

Este já prometeu que se dedicará "imediatamente" à questão do Oriente Médio.

O atual governo israelense e a Autoridade presidida por Mahmud Abbas se perguntam se Obama vai decidir se a guerra de Gaza significa a morte da solução de dois Estados, defendida sem êxito por Bush, ou se manterá o projeto, para o qual é necessário antes um acordo de paz entre ambas as partes.

Em todo caso "esperamos que das ruínas e dos campos de batalha de Gaza, desde o primeiro dia o presidente Obama se dedique a resolver de uma vez por todas este conflito", disse à AFP Saeb Erakat, principal negociador palestino.

Um alto dirigente israelense, que pediu para não ser identificado, disse: "Obama vai se envolver no conflito, mas como, não sabemos".

É preciso ver se o líder da direita israelense, Benjamin Netanhayu, favorito das eleições de 10 de fevereiro, dará boas-vindas ao esforço, ou se será aceito pelo Hamas, que rejeita qualquer acordo com o Estado hebreu que vá além de uma trégua mais ou menos longa.

"Ninguém sabe o que Obama vai fazer, mas é certo que a guerra em Gaza vai dar destaque à questão do Oriente Médio mais rápido do que ele pensava", considerou o cientista político Mark Heller, da Universidade de Tel Aviv.

"Esta guerra mostrou a ele que as feridas são tão profundas que não há outra opção a não ser se dedicar ao tema rapidamente", insiste o professor Menachem Klein, da Universidade Bar Ilan.

Entretanto, israelenses e palestinos têm em mente que a solução para a crise financeira mundial, a retirada das tropas norte-americanas do Iraque ou o problema do poderio nuclear do Irã são outras promessas eleitorais que tomarão o tempo de Obama.

"O conflito entre israelenses e palestinos também é um assunto candente, mas ele não o mencionou como uma promessa eleitoral", ressalta esse alto funcionário do governo israelense.

"As imagens, os massacres em Gaza, lembram ao mundo inteiro, a Bush e evidentemente a Obama, que a história palestina foi negligenciada durante 60 anos, e que é hora de se ocupar dela", considera Julud Dajani, da Universidade Al-Qods de Jerusalém Oriental.

E mesmo que o novo presidente pareça ser "um homem de mudança", acrescenta Dajani, "é preciso evitar ter expectativas elevadas demais" depois de oito anos de um governo Bush abertamente pró-israelense.

"Obama parece mais sensível à causa dos palestinos e é possível que o conceito de mediador honesto venha à tona de novo", ressalta o analista político israelense Akiva Eldar.

Mas a nomeação de Hillary Clinton à frente da diplomacia norte-americana, e a possível colaboração de ex-membros da equipe de seu marido, Bill Clinton, em especial de Dennis Ross, geram interrogações.

"Vamos assistir ao ressurgimento de velhas receitas clintonianas. E como todo mundo sabe, essas receitas não fizeram milagres", lembrou o professor Klein em referência ao fracasso da reunião de Camp David em julho de 2000.

pa/dm

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