Organizador de protesto dá ultimato para que Haiti tenha premiê

Por Joseph Guyler Delva LES CAYES, Haiti (Reuters) - Favelados que provocaram recentes distúrbios por causa do preço dos alimentos em Les Cayes (sul do Haiti) deram na segunda-feira um prazo de uma semana para que o Parlamento nomeie um novo premiê.

Reuters |

Jean René Frazil, um dos organizadores dos protestos de abril, disse ao presidente René Préval e ao Parlamento que novos protestos podem ser ainda mais violentos.

'Préval e o Parlamento não têm mais do que uma semana para instalar um novo primeiro-ministro e um novo governo,' disse Frazil, de 28 anos, à Reuters. 'Do contrário, levaremos os protestos novamente às ruas, e será muito pior do que o que aconteceu nos protestos anteriores.'

Pelo menos seis pessoas morreram nas manifestações que duraram uma semana e se espalharam para Porto Príncipe e outras cidades. Cinco das mortes ocorreram em Les Cayes, onde tropas das Nações Unidas foram apedrejadas e houve saques a lojas e depósitos de alimentos.

Dias depois, o Senado demitiu o primeiro-ministro Jacques Edouard Aléxis, por supostamente ter sido incapaz de estimular o aumento da produção agrícola e a redução do custo de vida.

Préval indicou Ericq Pierre, ex-consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento, para suceder Aléxis, mas seu nome ainda precisa ser ratificado no Parlamento.

Os distúrbios no Haiti foram parte de uma onda mundial de manifestações em países pobres contra o aumento generalizado no custo da alimentação, provocado por fatores como o aumento da demanda na Ásia, transtornos climáticos, especulações nos mercados e o uso intensivo de terras para a produção de biocombustíveis.

Em 12 de abril, Préval anunciou um plano para reduzir em cerca de 15 por cento o preço do arroz. Para muitos dos haitianos que vivem com menos de 2 dólares por dia, isso não basta.

'Quando uma população faminta está irritada, qualquer coisa pode acontecer. [O governo] deveria fazer algo agora antes que seja tarde', disse outro líder dos manifestantes, Jose Pierre, 30 anos, na favela de La Savane, em Les Cayes, onde os protestos começaram.

Esta favela à beira-mar é o bairro mais pobre de todo o sul do Haiti, lugar onde vive gente como Jacqueline Emile, 52 anos e dez filhos para criar. 'Não consigo mandá-los à escola e não consigo alimentá-los porque não estou trabalhando. Eu gostaria que o governo me ajudasse', disse ela.

Líderes da favela propuseram a Préval que crie depósitos e refeitórios comunitários, escolas profissionalizantes, centros de saúde e empregos para os jovens, como forma de afastá-los do crime.

'Nossa decisão é de que nossos filhos devem ter um futuro melhor e não devem herdar esta situação de miséria absoluta em que nossos pais e mães viveram e em que vivemos hoje', disse o favelado Marc-Orel Sanon. 'Vamos lutar até o último suspiro para mudar isso.'

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