Organizações protestam contra bases militares durante cúpula da Unasul

Bariloche (Argentina), 28 ago (EFE).- Organizações sociais, políticas e sindicais realizaram hoje, na cidade argentina de Bariloche, uma assembleia dos povos latino-americanos e marcharam contra o uso de bases colombianas por tropas americanas, em um protesto que foi atrapalhado pela chuva.

EFE |

A Assembleia dos Povos, responsável pelas manifestações, é um fórum de grupos sociais, sindicais e políticos de esquerda que surgiu do Foro de São Paulo, organização criada em 1990, impulsionada pelo PT.

A marcha foi realizada hoje, em paralelo à Cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul), realizada em Bariloche, e terminou com a entrega de um documento que uma delegação da assembleia levou até o hotel Llao-Llao, onde a reunião de líderes de Estado foi realizada.

"Realizamos uma marcha pelo centro da cidade, com 1.500 pessoas, mas a chuva complicou um pouco a manifestação", disse à Agência Efe Julio Acavallo, dirigente da Frente Grande, de centro-esquerda, e delegado local do Instituto Nacional contra a Discriminação, a Xenofobia e o Racismo (Inadi).

A manifestação se estendeu por sete quadras, desde o ginásio de bombeiros voluntários da cidade, próximo ao local onde a cúpula da Unasul foi realizada, até o centro cívico de Bariloche.

Na assembleia participaram dirigentes sociais, sindicais e políticos da Argentina, sem a presença de delegações estrangeiras, embora tenha contado com a presença de bolivianos e chilenos que vivem no país, segundo Acavallo.

O documento final, que foi recebido por funcionários da Chancelaria argentina, recolhe a rejeição destas organizações ao acordo negociado entre a Colômbia e os Estados Unidos que permitirá a utilização de bases militares em território colombiano por soldados americanos, pacto que foi eixo das discussões da reunião presidencial de hoje.

O texto também expressa o apoio da assembleia à Unasul e ao aprofundamento da integração latino-americana, além de reivindicar a restituição do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que foi retirado do poder no dia 28 de junho.

Neste sentido, as organizações sociais solicitaram aos líderes sul-americanos que reiterem os pedidos para que Zelaya retorne à liderança do Governo constitucional de Honduras.

O documento também sugere a criação de um sistema de defesa único na América do Sul e rejeita a presença de qualquer base militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), inclusive nas ilhas Malvinas.

Os grupos pediram ainda que seja criada uma agência informativa da Unasul e expressaram seu apoio ao projeto para a criação de uma nova lei de radiodifusão, que, nesta quinta-feira, a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, enviou ao Parlamento.

A grande ausente desta "cúpula paralela" foi a senadora colombiana Piedad Córdoba, opositora ao Governo de Álvaro Uribe e mediadora na libertação de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), cuja presença tinha sido prometida pelos organizadores.

"A senadora não pôde participar. Não entrou em contato conosco.

Não sabemos nem se chegou a Bariloche. Tínhamos entendido que chegaria junto com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e, inclusive, ia se hospedar no hotel Llao-Llao", disse Acavallo.

Chávez e o presidente da Bolívia, Evo Morales, também não participaram das manifestações, apesar de serem usuais estrelas das "contra cúpulas" e de suas presenças nos protestos terem sido mencionadas na quinta-feira. EFE nk/pd

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