Organizações humanitárias enviam ajuda a vítimas de ciclone em Mianmar

Organizações internacionais de ajuda humanitária começaram a enviar nesta segunda-feira alimentos e água a Mianmar, depois que um violento ciclone devastou no fim de semana o sul do país, deixando mais de 350 mortos e milhares de desabrigados.

AFP |

Apesar da destruição provocada pelo ciclone tropital Nargis, a junta militar que governa o país anunciou que manterá, como previsto, para o próximo sábado um polêmico referendo constitucional, que segundo os opositores tem como objetivo reforçar o poder dos generais.

Destruição

Com ventos de 190 km/h, o ciclone Nargis, que tocou o solo durante o fim de semana, deixou pelo 351 mortos e dezenas de milhares de desabrigados, de acordo com um balanço oficial provisório. Cinco regiões do país foram afetadas, em particular o delta de Irrawaddy (sudoeste).

Várias cidades costeiras ficaram totalmente destruídas, de acordo com o porta-voz da Federação Internacional da Cruz Vermelha, Michael Annear. A ajuda está lenta por causa dos problemas de mobilidade causados pela devastação.

"Distribuímos material às pessoas que ficaram sem casa, lonas para cobrir os telhados danificados, pastilhas para purificar a água, assim como 5.000 litros de água potável, fogareiros, mosquiteiros, cobertores e roupas para os mais necessitados", afirmou Annear.

"Saímos o mais rápido possível, mas tivemos problemas com a mobilidade devido à quantidade de escombros e postes elétricos que caíram. As autoridades e os habitantes limparam as estradas e a mobilidade melhorou", acrescentou.

Centenas de monges budistas se uniram aos esforços dos moradores, da polícia e dos militares para limpar as ruas.

O governo militar anunciou que o referendo sobre uma nova Constituição acontecerá no próximo sábado, em um momento em que os preços dos alimentos triplicaram e a água é cada vez mais escassa.

"Não queremos democracia, agora só queremos água", afirmou um homem com idade por volta de 30 anos na fila do poço de um vizinho em Yangun, capital econômica do país.

Porém, a junta, com sede na afastada capital Naypyidaw, insistiu en que "o referendo acontecerá dentro de alguns dias e a população do país o espera com impaciência", segundo o jornal oficial New Light of Myanmar.

"O governo de Mianmar anunciou que em 10 de maio de 2008 será celebrado um referendo sobre o projeto constitucional e que em 2010 serão organizadas eleições gerais democráticas de acordo com a nova Constituição", acrescenta o jornal, controlado pela junta.

Os militares afirmam que o processo que será iniciado com o referendo de sábado resultará em eleições democráticas em 2010, mas os críticos garantem que servirá apenas para reforçar o poder dos generais birmaneses.

A residência da líder opositora Aung San Suu Kyi em Yangun foi atingida pelo ciclone, mas a Prêmio Nobel da Paz de 62 anos, que está em prisão domiciliar, não ficou ferida.

As principais agências da ONU e ONGs de ajuda humanitária se reuniram em Bangcoc para coordenar as ações.


Leia mais sobre: ciclone


    Leia tudo sobre: mianmá

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG