Miami, 29 jun (EFE).- Grupos pró-imigrantes hondurenhos expressaram hoje, em Miami, seu apoio ao novo líder de Honduras, Roberto Micheletti, nomeado pelo Congresso, depois que os militares tiraram Manuel Zelaya do poder, no domingo.

"A Unidade Hondurenha, assim como a grande maioria dos hondurenhos, dentro e fora do país, apoia a decisão do Congresso de destituir Zelaya, por sua pretensão inconstitucional de reeleição", afirmou a organização comunitária, em comunicado.

José Lagos, presidente da Unidade Hondurenha, disse que o próprio presidente deposto desencadeou" os fatos, de "forma desafiante, ao desacatar uma ordem judicial" que proibia a "consulta popular" para uma reforma da Carta Magna, que data de 1982, quando os militares entregaram o poder aos civis.

O Parlamento e a Corte Suprema de Honduras tinham declarado a convocação de plebiscito ilegal.

A crise política em Honduras foi desencadeada neste domingo com a destituição de Zelaya. Membros do Exército foram até sua casa, tiraram-no a força e o transferiram para Costa Rica.

A organização pediu aos hondurenhos que mantenham a "calma", a "confiança" e que respaldem "a transição do Governo de Micheletti", uma pessoa à qual a organização qualificou de "honorável, respeitosa das instituições e da constituição".

Zelaya foi substituído pelo presidente do Parlamento, Micheletti, de seu próprio partido e designado para assumir a Presidência de Honduras durante os seis meses restantes do mandato de quatro anos, que terminará no dia 27 de janeiro de 2010.

O presidente interino manifestou que o Exército "só tinha cumprido com a função que a Corte Suprema de Justiça tinha ordenado, através dos juízes, da Procuradoria e do maior sentimento do povo hondurenho".

O grupo hondurenho rejeitou, além disso, os comentários e a "intromissão" do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que condenou o golpe de estado cívico-militar e dos "ditadores de Cuba, os irmãos Fidel e Raul Castro".

Reina Grubair, presidente do Honduras Foundation USA, outro grupo comunitário sem fins lucrativos, também saiu em defesa de Micheletti, já que ele é "uma figura não militar", disse.

"Somos a favor da democracia, respaldamos Micheletti e pensamos que as ideias de Zelaya eram próximas às de outros Governos, como o da Venezuela. Todo mundo tinha medo que ele copiasse o mesmo padrão", afirmou Grubair.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) e países da União Europeia apóiam Zelaya e condenam energicamente a ruptura da ordem constitucional em Honduras. EFE emi/pd

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