Genebra, 23 dez (EFE).- As organizações humanitárias estão se preparando para um eventual agravamento da epidemia de cólera no Zimbábue, com um futuro registro de até 60 mil casos, segundo o cenário mais pessimista traçado pelos especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Zimbábue, Roeland Monasch, reconheceu hoje esse quadro hoje, após atualizar para cima o número de mortos e de doentes por causa da cólera: 1.174 e 23.712, respectivamente.

"A ONU e os organismos com os quais colabora estão se preparando para atender potencialmente 60 mil pessoas", disse, em entrevista coletiva por telefone, em seu escritório em Harare.

Dominique Praplan, representante da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), afirmou que sua entidade trabalha igualmente "tomando em consideração esse cenário pessimista".

A epidemia já afeta as dez regiões do país africano - com a metade dos casos em Harare - e seu nível de mortalidade é de 5%.

Monasch disse que é uma porcentagem extremamente alta, frente aos padrões internacionais que indicam que, em epidemias deste tipo, a mortalidade não deve ser maior de 1%.

A origem desta crise sanitária está na contaminação das fontes de água e na deterioração dos sistemas de canalização, que têm como cenário de fundo o colapso total dos serviços básicos no Zimbábue.

Outra mostra da situação é que 70% dos remédios essenciais no Zimbábue são fornecidos atualmente pelas Nações Unidas, assim como o fato de que os centros de tratamento para esta emergência, que normalmente deveriam ter 90 pessoas, "só contam com quatro ou cinco enfermeiras".

Para enfrentar esta emergência, o Unicef pediu recentemente US$ 17 milhões aos países doadores, dos quais recebeu US$ 8 milhões.

A FICV pediu hoje a doação de 6,6 milhões de euros para que a Cruz Vermelha do Zimbábue possa responder a esta crise. EFE is/an

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