Organizações dizem que acesso às vítimas em Gaza é grande desafio humanitário

Genebra, 6 jan (EFE).- O acesso às vítimas do conflito é o grande desafio humanitário na Faixa de Gaza, onde o sofrimento para a população é insustentável, afirmaram hoje o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e as Nações Unidas, as duas maiores organizações de ajuda em casos de guerra.

EFE |

Os constantes bombardeios e combates no território palestino tornam muito difícil e irregular o acesso dos feridos ao atendimento médico, da população aos alimentos básicos, enquanto o abastecimento de água depende de que uma rede de distribuição em estado muito precário não entre em colapso.

Se uma parte desse sistema ceder, pelo menos 500 mil pessoas na Faixa de Gaza - um terço da população - ficariam sem água potável.

Emilia Casella, representante do Programa Mundial de Alimentos (PMA), disse que seu organismo tem sérias dificuldades para distribuir a ajuda que conseguiu transferir a Gaza, devido à falta de segurança.

No meio da guerra, uma operação de distribuição representa um risco não só para os colaboradores do PMA, mas para a própria população, disse.

"O movimento das organizações humanitárias no terreno é extremamente difícil e perigoso, apesar da coordenação existente.

Insistimos em que a possibilidade de chegar às pessoas e infra-estruturas civis deve melhorar imediatamente", disse o diretor de operações do CICV, Pierre Krahenbuhl.

"Não temos a mobilidade de que precisamos dentro de Gaza", disse.

Segundo a porta-voz da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA), Elena Mancusi, "somos testemunhas de um ataque sem precedentes por parte de uma das potências militares mais sofisticadas em uma das zonas urbanas com maior densidade demográfica do mundo".

A situação é ainda mais dramática - acrescentou - se for levado em conta que a população vítima da guerra "é proibida de fugir em busca de segurança", em referência ao ferrenho bloqueio israelense nas passagens de fronteira.

No 11º dia de bombardeios contra a Faixa de Gaza, há de 580 a 600 mostos entre os palestinos, enquanto os feridos chegam a 3 mil, segundo fontes hospitalares.

Mancusi lembrou que, entre os mortos, há trabalhadores de seu organismo, estudantes de escolas administradas pela UNRWA e centenas de refugiados.

Krahenbuhl afirmou que a gravidade da situação em Gaza se explica pelas condições extremamente duras que já imperavam neste território, após 18 meses de bloqueio e restrições às importações por parte de Israel.

O diretor da CICV ressaltou que uma das prioridades é garantir que os feridos recebam atendimento médico, já que muitas vítimas morrem enquanto esperam a chegada de uma ambulância.

"Se for confirmada a divisão do território de Gaza em duas ou três partes, oferecer esse auxílio médico será ainda mais difícil", acrescentou.

Além disso, o representante do CICV disse que "está claro" que as duas partes do conflito "devem fazer mais para proteger os civis de Gaza" e insistiu em que "os únicos ataques legítimos são os dirigidos contra os participantes das hostilidades".

Sobre as acusações de Israel de que o Hamas utiliza áreas civis para esconder seu arsenal e seus milicianos, ressaltou que "todos têm uma responsabilidade e está claro que não se pode colocar equipamentos e pessoal militar no meio dos civis". EFE is/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG