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Organizações brasileiras repudiam massacre de indígenas no Peru

Rio de Janeiro, 10 jun (EFE).- Um grupo de ONGs e entidades vinculadas ao Episcopado brasileiro manifestaram hoje seu repúdio ao massacre de indígenas ocorrida na semana passada na Amazônia peruana.

EFE |

As organizações brasileiras, em carta entregue hoje à Embaixada do Peru em Brasília, após protagonizar um ato de protesto em frente a essa sede, expressaram "sua indignação e repúdio pelo massacre promovido pelo Governo do presidente Alan García, durante os dias 5 e 6 de junho em Baguá, na Amazônia peruana".

A carta foi assinada por várias comissões do Episcopado da Igreja Católica, assim como por organizações religiosas como o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs e outras sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), o Conselho Indigenista Missionário e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

De acordo com a carta, as informações oferecidas por representantes da etnia peruana Awajun indicam que os conflitos ocorridos durante o final da semana passada deixaram mais de 60 mortos, incluindo 30 indígenas.

Os confrontos começaram na sexta-feira, quando agentes policiais tentaram retirar os nativos de uma estrada que tinham bloqueado em protesto contra decretos do Governo que consideram prejudiciais a seus interesses.

Os indígenas peruanos começaram os protestos no início de abril, em rejeição a uma série de leis aprovadas pelo Governo e que, segundo ele, permitem a prospecção petrolífera e gasística de suas terras.

"A convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho garante aos povos indígenas a consulta prévia, livre e informada sobre qualquer tipo de projeto que afete seus territórios tradicionais", alegam as organizações.

Segundo a carta, para justificar a "covarde agressão", o Governo de García se disse vítima de uma "agressão subversiva contra a democracia e a política nacional", frente à qual precisava "responder com firmeza".

"A severidade e a firmeza resultaram no assassinato de 60 pessoas, além da perseguição e da detenção de dezenas de líderes indígenas", disseram.

"Os índios foram executados por defender a terra mãe, por crer que não deve ser explorada até a morte. Foram executados, em último, por proteger o equilíbrio climático, fundamental para a vida da Terra e, consequentemente, para a vida de todos na Terra", acrescentaram.

Os signatários da carta se comprometeram a lutar para que os responsáveis do massacre sejam julgados e punidos, e anunciaram que já apresentaram um requerimento à Corte Interamericana de Direitos Humanos. EFE cm/an

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